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Congresso do Peru dá voto de confiança para novo gabinete ministerial de Castillo

LIMA, PERU, E BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O Congresso peruano concedeu voto de confiança ao novo gabinete ministerial do presidente Pedro Castillo, que reestruturou sua gestão no início de outubro em busca de governabilidade. A decisão foi chancelada durante reunião do Legislativo nesta quinta-feira (4).

Depois de dez horas de debate, aprovaram o gabinete 68 congressistas, enquanto 56 o rejeitaram e 1 deles se absteve.

A sessão contou também com a apresentação do plano de governo de cada pasta e de um pedido da primeira-ministra, Mirtha Vázquez, de que se votasse a questão de confiança ainda naquela jornada: "Estamos presos num problema que não nos deixa começar o governo e precisamos começar a atuar. O Peru precisa dessa aprovação".

A votação estava prevista, inicialmente, para 25 de outubro, mas foi interrompida devido à morte do deputado Fernando Herrera Mamani, do Perú Libre, mesmo partido de Castillo. Apesar do motivo, o tempo ganho foi bem-vindo para a legenda governista aparar arestas apontadas como possíveis atritos com o Parlamento.

A principal foi a saída do advogado Luis Barranzuela do Ministério do Interior. O político renunciou na terça (2), após realizar uma festa em sua casa, evento proibido por um decreto da própria pasta que comandava para conter o avanço do coronavírus, que já matou mais de 200 mil pessoas no país.

O novo titular para o ministério é ex-promotor Avelino Guillén, 67, que ficou conhecido por ter processado o ex-presidente Alberto Fujimori em 2009 -ele foi condenado a 25 anos por violações humanitárias. Em uma rede social, Castillo saudou a chegada do novo ministro e disse que seu conhecimento, sua experiência e trajetória vão permitir "continuar combatendo o crime no país".

Outro nome que agrada pouco ao Legislativo, porém, permaneceu: o da titular de Desenvolvimento e Inclusão Social, Dina Boluarte, investigada por lavagem de dinheiro e financiamento ilegal da campanha. No domingo (31), quando estava encarregada temporariamente dos despachos presidenciais, Boluarte promulgou uma norma, já aprovada pelo Congresso, que suspende a realização de eleições primárias para as eleições regionais e municipais de 2022.

A decisão foi criticada pela vice-presidente do Congresso, Lady Camones, da Aliança para o Progresso, de direita. "É lamentável que Boluarte promulgue uma norma que significa uma sabotagem às regras democráticas", escreveu a congressista em uma rede social.

Os nomes escolhidos por Castillo para o novo ministério chegaram a gerar atritos internos no próprio Perú Libre. Lideranças como o secretário-geral, Vladimir Cerrón, chegaram a dizer que a legenda, que ocupa uma minoria de 27 das 130 cadeiras do Congresso, não daria o voto de confiança em razão de um movimento que caracterizou como "virada à centro-direita".

A crítica se referia, em especial, a figuras como a presidente do Conselho de Ministros, Mirtha Vázquez, uma advogada de centro-esquerda, considerada moderada e que não pertence ao Perú Libre. Também era contestado pela ala mais radical do partido o titular da Economia, Pedro Francke.

Diferentemente de seu antecessor, Guido Bellido Ugarte, Vázquez afirma que uma nova Constituição, como havia prometido Castillo na campanha, não era uma prioridade para o país, e que os esforços devem ser concentrados agora na vacinação e na recuperação econômica.

Diversos congressistas do partido governista teceram críticas durante a sessão desta quinta. Um deles, Bernardo Quito, disse: "Não podemos deixar que um governo de esquerda continue com as políticas neoliberais. É importante sermos coerentes com o que defendemos durante a campanha".

Já Patricia Chirinos, do Avanza País, afirmou que o Peru está "há 100 dias com um presidente que se esconde quando as batatas queimam, 100 dias de destruição de nossa pátria. Temos um presidente que nos leva a um triste fim, porque está incendiando a economia".

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