BRASÍLIA - O médico mexicano pesquisador em câncer Miguel Galindo Campos, de 33 anos, conta ter chegado à La Rambla, a via central e mais turística de Barcelona, cinco minutos depois do atentado que deixou mortos e feridos no coração da cidade. Miguel estava numa bicicleta, voltando do trabalho, como costuma fazer diariamente.
Ele chegou ao lado oposto da via, mais próximo ao mar. O atentado ocorreu na parte próxima à Praça Catalunha. A seguir, o depoimento do médico ao jornal:
"Voltava para casa, saindo do trabalho, de bicicleta. Geralmente tenho de subir La Rambla para chegar à minha casa. Ia entrar na Rambla do lado que dá para o mar. Quando eu ia subir, começou a aparecer gente correndo, gritando, algumas chorando. Eu continuei, pensando que podia ser algo sem importância.
Então veio uma quantidade impressionante de gente, e me derrubaram da bicicleta. Havia gente em pânico, inclusive pegaram minha bicicleta e jogaram do outro lado. Ninguém sabia o que estava acontecendo. As pessoas se refugiavam nos restaurantes, nas lojas. As pessoas das lojas não sabiam o que estava acontecendo e começaram a fechar as cortinas.
La Rambla ficou deserta, a parte mais abaixo. Depois chegaram policiais, até então tranquilos, porque não sabiam o que estava acontecendo. E então chegou a informação para esvaziar La Rambla.
Eu fiquei ali mais um pouco, para entender o que aconteceu, depois de La Rambla ser esvaziada. Ninguém sabia o que estava acontecendo. A polícia foi tirando a gente dali. Começou um plano de evacuação. Precisei dar uma volta para chegar em casa. Não paravam de passar ambulâncias, helicópteros.
Estão nos pedindo para não deixar nossas casas. O problema é que os autores do atentado escaparam e os policiais não os encontram."

