Início Mundo Começa votação para eleger Assembleia Constituinte na Venezuela
Mundo

Começa votação para eleger Assembleia Constituinte na Venezuela

Envie
Envie

CARACAS - As urnas para a eleição de integrantes de uma assembleia constituinte convocada pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foram abertas neste domingo às 6h na hora local (7n no horário de Brasília), informaram as autoridades locais. O presidente foi o primeiro a votar em uma seção eleitoral no Oeste Caracas logo no início deste dia que vai eleger 545 membros da assembleia, de acordo com imagens de televisão transmitidas pelo governo.

- Fui o primeiro a votar no país. Peço a Deus todas as suas bênçãos para que o povo possa exercer livremente o seu direito democrático ao voto - disse Maduro em um púlpito, vestindo uma camisa vermelha com uma bandeira da Venezuela.

A eleição da Assembleia Constituinte venezuelana terá lugar em uma atmosfera tensa depois que a oposição, que não apresentou candidatos neste pleito, anunciou protestos em todo o país contra a iniciativa. As manifestações são parte de um movimento que começou em 1º de abril para exigir a saída de Maduro e já deixaram mais de cem mortos e milhares de feridos e presos.

Maduro propôs a Constituinte numa tentativa de resolver a grave crise política no país, mas a oposição, que exige eleições gerais, a considera uma “fraude” para aprofundar o domínio do governante socialista.

A Assembleia Constituinte também foi rejeitada pelos Estados Unidos e vários países da América Latina e Europa. Colômbia e Panamá já anunciaram que não vão reconhecer os resultados, enquanto Washington ameaçou novas penalidades econômicas depois de sancionar esta semana 13 funcionários e ex-colaboradores da Maduro.

A Assembleia Constituinte é rejeitada por 72% dos venezuelanos, de acordo com a empresa de pesquisas Datanalisis, que coloca em 80% a rejeição à gestão de herdeiro político de Hugo Chávez, morto em 2013.

Este cenário se desenrola em meio à grave crise econômica que atravessa o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, refletida numa escassez crônica de alimentos e medicamentos e a maior inflação do mundo, projetada pelo FMI em 720% este ano.

Devido ao método da escolha, combinando sufrágios por territórios e setores sociais, 62% dos 19,8 milhões de eleitores poderão votar duas vezes nas eleições. Tudo isso torna o cálculo da participação dos cidadãos, de acordo com o especialista eleitoral Eugenio Martínez, uma questão fundamental para a legitimidade da Constituinte, porque há duas semanas a oposição organizou um plebiscito simbólico contra a iniciativa em que disse ter levantado 7,6 milhões votos.

Siga-nos no

Google News