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Com metade de ginásio ocupado, Trump critica democratas e imprensa em Tulsa

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tentando reaquecer sua campanha à reeleição, o presidente dos EUA, Donald Trump, conseguir encher cerca de metade dos 19 mil assentos de um ginásio fechado em seu primeiro comício em três meses, realizado na cidade de Tulsa, em Oklahoma. Os apoiadores receberam Trump aos gritos de "EUA", enquanto o republicano entrava ao som da música "I'm proud to be an american" (tenho orgulho de ser americano). Antes, uma gravação ao som de uma versão de In The End (no fim), da banda Linkin Park, atacava os establishment e aqueles "que há muitos anos estão em Washington". "A mudança começa aqui e agora!" Trump chamou de "guerreiros" os apoiadores -pois nas fake news, como afirmou o republicano, tudo é negativo. "A maioria silenciosa está mais forte do que nunca! Daqui a cinco meses, vamos derrotar o sonolento Joe Biden", disse o presidente, em referência ao seu rival democrata. A realização do evento vai de encontro às recomendações de autoridades de saúde, pelo risco de disseminação do novo coronavírus entre os participantes. Desde o início da crise sanitária, o republicano tenta diminuir a gravidade do coronavírus, mesmo fazendo parte do grupo de risco aos 74 anos. Com mais de 2,2 milhões de pessoas infectadas com Covid-19 nos Estados Unidos e 119 mil mortos, o presidente americano disse aos seus apoiadores que irá pedir para as autoridades de saúde diminuírem os testes de coronavírus, afirmando que era uma "uma faca de dois gumes" que leva a mais casos sendo descobertos. Trump disse que 25 milhões de pessoas já foram testadas, muito mais do que em outros países. Um funcionário da Casa Branca disse que o presidente "obviamente estava brincando" ao fazer a afirmação. Com o risco de contágio, os organizadores do evento distribuíram máscaras na entrada, mas o uso delas não era obrigatório. Alguns apoiadores jogavam as máscaras fora assim que as recebiam. Dentro do ginásio, a maior parte do público não usava o equipamento de proteção e também não se preocupava em manter a distância social. Horas antes, seis pessoas da equipe de campanha foram diagnosticadas com Covid-19. O maior problema para a campanha de Trump, no entanto, era que o ginásio tinha apenas metade do público esperado quando o presidente apareceu no palco. A equipe do republicano, que tinha a expectativa de reunir uma multidão para rebater as pesquisas que mostram Trump perdendo fôlego, culpou os manifestantes "radicais" e a mídia que, segundo eles, dificultaram a entrada dos apoiadores. "Somos o partido de Abraham Lincoln e o partido da lei e ordem!" O bordão "lei e ordem" tem sido usado pelo presidente para contra-atacar os protestos que tomaram o país após a morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos, asfixiado pelo joelho de um policial branco. O republicano criticou as iniciativas que pretendem acabar com os departamentos de polícia. Atacou também a imprensa, por não reconhecer "as centenas de milhares de vidas salvas" por suas medidas contra o coronavírus, e os democratas, que, enquanto "estão queimando prédios" e "machucando policiais" não falam de Covid. O comício em Tulsa foi realizado no dia seguinte ao "Juneteenth", união das palavras 19 de junho, em inglês, data que marca o fim da escravidão do país. Nesta sexta (19), manifestantes foram às ruas em diversas cidades em atos antirracismo. Em uma hora de discurso, Trump não citou o feriado, mas criticou pessoas que, em sua maioria, têm se manifestado pacificamente, chamando-os de desordeiros. O republicano fez, ainda, uma referência ao ato de se ajoelhar, utilizado nos protestos devido à forma como Floyd foi morto. "Não vamos nunca nos ajoelhar ao nosso hino nacional ou à nossa grande bandeira americana", afirmou. "Vamos ficar orgulhosos e vamos ficar de pé." Os protestos realizados na esteira da morte de Floyd foram, inclusive, usados como resposta por alguns apoiadores de Trump às críticas da realização do comício. "Há pessoas que, por razões políticas, acham ótimo uma manifestação de transgêneros em Nova York ou um protesto, mas se você for à igreja ou a um comício de Trump, bem, você precisa se preocupar com Covid", disse o ex-deputado por Wisconsin, Sean Duffy, que pretendia ir ao evento, segundo o New York Times. Especialistas, no entanto, dizem que eventos em lugares fechados são mais perigosos do que aqueles em locais abertos, como as manifestações. Duffy afirmou ainda que o virus é real e que são necessárias precauções, mas acrescentou que "esse comício não é menos arriscado que os protestos que vêm ocorrendo nas últimas três semanas". Quem foi ao comício assumiu não só risco de se contaminar como compromisso de não processar a campanha do republicano por isso. Para obter ingressos, os eleitores precisavam concordar com um termo que dizia: "Ao clicar na confirmação abaixo, você reconhece que existe um risco inerente de exposição à Covid-19". Isso não impediu eleitores de participarem do comício. Desde a manhã deste sábado, diversos deles formaram uma fila que ocupou vários quarteirões na região do BOK Center. A quantidade de apoiadores reunidos mostra que Trump ainda tem certa força sobre a base republicana, ainda que os números joguem contra o presidente. Seu rival, o democrata Joe Biden, lidera pesquisas nacionais e em estados decisivos para a eleição de novembro. A vantagem ainda é menor do que Hillary Clinton, que disputou a vaga na Casa Branca com Trump em 2016, apresentava no último pleito. Segundo o site FiveThirtyEight, 50,4% dos eleitores preferem Biden a Trump, que angaria 41,5% da preferência. Mas, assim como com o coronavírus, o republicano tenta diminuir os números apresentados -e ainda faz pouco do comício de Biden realizado nesta semana, na Filadélfia. Também do grupo de risco, o democrata de 77 anos reuniu cerca de duas dezenas de autoridades locais, pequenos comerciantes e jornalistas em um centro recreativo. Do palco, ele via seu público sentado em cadeiras dobráveis distantes entre si para incentivar o distanciamento social. Cena diferente do público no comício em Tulsa, reunido nas cadeiras de arquibancada de um ginásio.

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