HUKOUMIYA, Síria — As Forças Democráticas da Síria (FDS), grupo apoiado pelos Estados Unidos, comunicaram nesta terça-feira que entraram na cidade de Raqqa, capital do Estado Islâmico (EI) na Síria, iniciando a batalha para capturá-la. O porta-voz das FDS, Talal Silo, disse que a operação começou na segunda-feira e que os combates serão "ferozes porque o Estado Islâmico irá morrer para defender sua assim chamada capital".
— Declaramos hoje o começo da grande batalha para liberar a cidade de Raqqa, a capital do terrorismo — declarou Silo.
As FDS, que incluem a milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo), vêm cercando Raqqa desde novembro em uma ofensiva apoiada pela coalizão liderada pelos EUA, que também está combatendo o Estado Islâmico no Iraque. A coalizão disse que se acredita que entre 3 mil e 4 mil combatentes do grupo extremista estejam entrincheirados na cidade de Raqqa, onde montaram defesas contra o ataque iminente.
A pressão sobre os jihadistas está aumentando, cujo califado autoproclamado em partes da Síria e do Iraque está diminuindo. A ofensiva em Raqqa será simultânea às etapas finais do ataque auxiliado pelos EUA para recapturar a cidade iraquiana de Mossul. A entrada na cidade síria vem na esteira de meses de avanços das FDS, que incluem milícias árabes e curdas, rumo ao norte, leste e oeste de Raqqa. As FDS começaram a ir em direção à Raqqa há sete meses, retomando progressivamente as regiões em torno do local, até rodeá-la.
O Estado Islâmico capturou Raqqa de grupos rebeldes em 2014 e vem usando a cidade como base de operações para planejar ataques contra o Ocidente.
— A coalizão tem um grande papel no sucesso das operações. Além dos aviões de guerra, há forças da coalizão trabalhando lado a lado com as FDS — disse Silo por telefone da região de fazendas de Hukoumiya, 10 quilômetros ao norte de Raqqa, onde mais tarde as FDS declararam o início do ataque.
Uma testemunha no local conseguiu ouvir o som de um bombardeio intenso e de ataques aéreos ao longe. O comandante da campanha de Raqqa, Rojda Felat, disse que um ataque teve início no distrito de Al-Mushleb, nos arredores do sudeste da cidade, confirmando um relato anterior do Observatório Sírio dos Direitos Humanos. O Observatório disse que as FDS capturaram alguns edifícios na área de al-Mushleb e que também atacaram um acampamento militar, a Divisão 17, nas cercanias do norte de Raqqa. O grupo de monitoramento sediado no Reino Unido relatou ataques aéreos e de artilharia intensos.
Um comandante da coalizão, o tenente-general Steve Townsend, adverteu que a batalha por Raqqa será grande e difícil, mas acertará um golpe decisivo ao califado do Estado Islâmico.
A cidade de Raqqa tem cerca de 300 mil habitantes, incluindo 80 mil deslocados que vieram de outras regiões da Síria desde o início da guerra em 2011. As forças antijihadistas acusaram o Estado Islâmico de utilizar os civis como escudos humanos e de se esconder no meio da população. Além disso, os riscos são muito grandes para as pessoas que tentar sair da cidade. Segundo o OSDH, um bombardeio aéreo da coalizão liderada pelos Estados Unidos deixou 21 sírios mortos, entre eles mulheres e crianças, que tentavam fugir de Raqqa na segunda-feira passada.
— As pessoas embarcavam em pequenos barcos na margem do Eufrates para sair dos subúrbios do sul de Raqqa — explicou Rami Abdel Rahman.
Cerca de 200 mil pessoas já abandonaram Raqqa. A organização Médico sem Fronteiras assegurou que a saída dos civis de Raqqa estava acelerada. Parte deles vão para o acampamento de deslocados de de Ain Isa, 30 quilômetros ao norte da cidade, e a situação humanitária é dificíl por falta de meios.
A guerra na Síria, desencadeada em março de 2011 pela repressão de manifestações pacíficas por democracia, se internacionalizou com a presença de grupos jihadistas e a implicação de atores regionais de algumas grandes potências. O conflito já deixou mais de 320 mil mortos e expulsou de suas casa mais da metade dos 22 milhões de Sírios.

