ROMA — Se os números da boca de urna se confirmarem, a coalizão de direita, liderada pelo magnata e ex-premier italiano Silvio Berlusconi, seria a vencedora das eleições legislativas da Itália deste domingo, mas sem obter maioria necessária para governar. Caso isso ocorra, a Itália poderá ter uma grande coalizão, aos moldes da Alemanha. Outra opção, é que o presidente Sergio Mattarella convoque novas eleições.
De acordo com levantamento feito pelo consórcio “Opinio Italia”, que reúne três institutos de opinião — a pedido da rede de TV Rai — o movimento Movimento 5 Estrelas (M5S) teve 29% a 32% no Senado e entre 29,5% e 32,5% na Câmara. No entanto, a legenda seria superada pela coalizão de centro-direita, que reúne o moderado Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e os ultranacionalistas Liga Norte e Irmãos da Itália (FDI) e alcançou entre 33,5% e 36,5% dos votos no Senado e 33% e 36% na Câmara, segundo a boca de urna.
Já a aliança do governista Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, teria sofrido uma dura derrota e ficado com 25% a 28% no Senado e 24,5% e 27,5% na Câmara.
A apuração começou após o fechamento das urnas, às 23h (19h em Brasília) e prosseguirá durante toda a madrugada. Mas um resultado definitivo de quantos assentos cada partido terá no Parlamento deve sair somente na manhã de segunda-feira, devido ao complicado sistema eleitoral italiano, que mistura os modelos proporcional e majoritário.
— As pesquisas de boca de urna se demonstraram muito elásticas na história, mas se esse for o resultado final, será um dado negativo para o PD, nós passaremos à oposição — reconheceu o líder do partido na Câmara, Ettore Rosato, autor do atual sistema eleitoral do país.
Em Milão, Berlusconi enfrentou fila para e acabou surpreendido quando uma ativista subiu, com os seios expostos, numa mesa dentro da seção eleitoral, aos gritos, de “Berlusconi, seu tempo acabou”. O ex-primeiro-ministro tem um histórico de envolvimento em escândalos sexuais.
— Ela passou tão rápido que nem tive a chance de vê-la — esquivou-se o quando perguntado sobre o protesto após votar em Milão.

