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Claude Pennetier: ‘É um fracasso para o movimento operário’

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PARIS Para o analista político Claude Pennetier, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), com a ampla maioria conquistada na Assembleia Nacional, Emmanuel Macron inicia da melhor forma seu projeto de governo, em condições mesmo de enfrentar o protesto das ruas.

Como analisa o resultado do pleito legislativo?

É o triunfo social da categoria liberal, do universo da informática, de novas empresas e das classes médias modernas. Neste sentido, é um fracasso para o movimento operário e trabalhador. A esquerda não teve a capacidade de constituir uma força dinâmica de propor projetos. Já a dinâmica da França Insubmissa (de esquerda radical) era insuficiente, um tanto isolada. E outro aspecto marcante é a Frente Nacional (FN), que se acreditava enfraquecida, e se mostrou forte em zonas industrias e elegeu um punhado de deputados.

Macron está com plenos poderes?

Ele vai poder agir. Haverá contradições no seio da maioria parlamentar, mas não de imediato. É um mundo de eleitos bastante diferenciado, não enquadrado pela estrutura de um partido. Fragilidades vão aparecer, não será um clima de almoço de primavera, mas por enquanto eles estão bem instalados. Contestações vão surgir da rua, mas por enquanto Macron tem todos os instrumentos para poder resistir.

É um fracasso para a direita tradicional?

Haverá uma recomposição completa da direita, em meio a tensões extremas. Ela está sem líder, e as novas lideranças serão contestadas. E a parte moderna e jovem da direita será tentada pelo poder macronista.

E o Partido Socialista (PS)?

A dinâmica do PS com a população foi quebrada. O que coloca Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, como um dos principais atores do campo da esquerda. O problema é que a França Insubmissa depende muito do carisma de Mélenchon, com grandes fragilidades de estratégia e uma personalização muito forte.

Como explica o índice recorde de abstenção?

Isso significa uma verdadeira crise de cidadania. Há um verdadeiro desligamento com a coisa política. Mas a falta de representatividade da Assembleia por causa do alto índice de abstenção não impedirá Macron de agir. Ele foi eleito, tem seu parlamento, e poderá votar suas leis.

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