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Cidade do Cabo: Companhia aérea se defende após jatos passarem 'raspando' acima de estádio

Estadão

Uma exibição antes do jogo envolvendo dois jatos de passageiros voando a uma altura extremamente baixa sobre um estádio esportivo na África do Sul provocou grandes aplausos da torcida, estimada em cerca de 56 mil pessoas, mas também gerou um grande debate sobre os riscos à segurança.

A passagem dos dois jatos Embraer, operados pela companhia aérea local Airlink, ocorreu no sábado, 29, antes de uma partida de rúgbi entre a África do Sul e a Nova Zelândia, na Cidade do Cabo.

O serviço de rastreamento de voos Flightradar24 estimou que o jato da frente passou a apenas 12 a 14 metros acima do telhado do Estádio da Cidade do Cabo, com a torcida e as equipes de rúgbi mais bem classificadas do mundo logo abaixo. O segundo jato, que estava logo atrás, voou por uma nuvem de poeira rosa que se elevou do telhado do estádio como parte do show pré-jogo.

Um vídeo postado no X pela Airlink mostrou o primeiro jato subindo levemente ao passar perigosamente perto da borda externa do telhado curvo do estádio. A Airlink, patrocinadora da série de jogos em andamento entre as equipes, afirmou que a passagem aérea foi realizada de acordo com as normas de segurança.

A companhia aérea informou que a manobra foi cuidadosamente planejada e ensaiada, com a aeronave voando a cerca de 278 km/h ao sobrevoar o estádio. Cada jato tinha três capitães experientes a bordo, informou a Airlink, desempenhando as funções de comandante, copiloto e oficial de segurança. Os jatos não transportavam passageiros.

"A Airlink toma nota das preocupações expressas em várias redes sociais e fóruns online a respeito do sobrevoo em formação realizado ontem sobre o Estádio DHL, na Cidade do Cabo", afirmou a Airlink no domingo. "O voo exigiu um planejamento cuidadoso e ensaios, pois envolveu a navegação em baixa altitude, a cerca de 150 nós. A Autoridade de Aviação Civil da África do Sul e os Serviços de Navegação e Tráfego Aéreo forneceram orientações valiosas, aprovação e apoio para garantir um sobrevoo seguro."

O rúgbi sul-africano tem uma tradição de sobrevoos de estádios em grandes partidas, que começou quando um Boeing 747 sobrevoou outro estádio em Joanesburgo antes da final da Copa do Mundo de Rúgbi de 1995 entre as mesmas equipes, que são rivais acirrados.

Mas o sobrevoo deste fim de semana foi especialmente baixo e espetacular, gerando interesse global depois de ter sido exibido como parte da transmissão pré-jogo e provocando uma enxurrada de vídeos gravados por testemunhas.

Especialistas em aviação questionam margem de erro

O presidente da Associação de Proprietários e Pilotos de Aeronaves da África do Sul, Chris Martinus, afirmou que "basicamente, aquela aeronave líder… era como se estivesse se esquivando por cima do telhado, subindo por um lado, descendo por baixo e, em seguida, subindo pelo outro lado. Isso foi um pouco desconfortável", disse à Associated Press .

Ele disse que, se "algo adverso acontecer, você simplesmente não tem opções naquele tipo de altitude".

O consultor australiano de aviação e ex-piloto militar e comercial Keith Tonkin afirmou nesta segunda-feira que os jatos de passageiros da Embraer, que são aeronaves de pequeno a médio porte projetadas para voos regionais, não foram projetados nem destinados a esse tipo de operação em baixa altitude e alertou contra a criação desse precedente.

"O quadro geral é que um precedente foi estabelecido e outros podem esperar fazer algo semelhante, e isso não vai acabar bem", disse Tonkin. Ele acrescentou que turbulências ou uma colisão com aves em uma altitude tão baixa poderiam deixar os pilotos com espaço insuficiente para manobrar sem colidir com o estádio.

A Airlink afirmou que os dados de voo registrados por ambas as aeronaves confirmaram que os voos foram realizados dentro dos limites de segurança da aviação civil para velocidade e altitude. Em comunicado posterior, a empresa informou ter fornecido os dados das caixas pretas das aeronaves à autoridade de aviação civil para análise. A autoridade de aviação não se pronunciou imediatamente, mas afirmou que planejava emitir um comunicado posteriormente.

*Com informações da Associated Press (AP)

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