Por Sergio Queiroz
JUIZ DE FORA, 24 Fev (Reuters) - Pelo menos 29 pessoas morreram em Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata Mineira, em decorrência de chuvas fortes que atingiram a região, informou nesta terça-feira o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, acrescentando que as equipes de resgate ainda buscam por 40 desaparecidos.
De acordo com os bombeiros, foram confirmadas 22 mortes em Juiz de Fora e sete em Ubá. Em relação aos desaparecidos, 37 estão sendo procurados em Juiz de Fora e três em Ubá.
As chuvas e os deslizamentos de terra que ocorreram como consequência dos temporais deixaram um rastro de lama e destruição em Juiz de Fora. Escombros e casas soterradas, além de água lamaçenta podiam ser vistas na cidade, onde houve transbordamento do Rio Paraibuna, causando inundação de ruas, avenidas e casas.
"Foi terrível, sem palavras para descrever o quão triste é, não tem o que falar, só pedir a Deus para encontrar os que ficaram com vida que ele faça um milagre", disse a moradora Sandra Jaqueline Teixeira, de 45 anos.
O vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), disse a jornalistas em Juiz de Fora que 500 homens atuam nos trabalhos de resgate das vítimas do que chamou de "maior desastre geológico" a já ter atingido as cidades de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa.
Ele reconheceu que, conforme o tempo passa, diminuem as chances de encontrar os desaparecidos com vida.
Ainda assim, as equipes de resgate intensificavam os esforços de buscas de eventuais sobreviventes.
"Sou bombeiro civil, estou aqui para ajudar. Uma situação precária, muitos desaparecidos, mas um ajudando o outro a gente acaba encontrando todo mundo", disse Gabriel Vitor, de 24 anos, que atuava nos esforços de resgate.
A prefeitura de Juiz de Fora informou que decretou estado de calamidade e que "órgãos nacionais e estaduais já foram acionados para prestarem o apoio necessário". O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública, o que possibilitará o início imediato dos trabalhos de socorro e ajuda humanitária, disse o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional em nota oficial.
"Juiz de Fora enfrenta um momento crítico em razão das fortes chuvas. É o fevereiro mais chuvoso da história, com volume já superior ao dobro do esperado para o mês. Todas as equipes da prefeitura e forças de segurança estão nas ruas", disse a prefeita Margarida Salomão (PT), que considerou a situação na cidade como "gravíssima".
Moradores ficaram ilhados durante o temporal e muitas ruas viraram rios.
Em Ubá, outra cidade também fortemente atingida pelas chuvas, o cenário também era de destruição. Em publicação em suas redes sociais, o prefeito de Ubá, José Damato (PSD), fez um apelo por ajuda dos governos estadual e federal.
"A cidade de Ubá está arrasada", disse. "É a maior enchente da história".
MAIS CHUVAS PELA FRENTE
A previsão é de mais chuvas na região e nas próximas horas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta de "grande perigo" devido ao acumulado de chuvas para uma região que inclui a Zona da Mata Mineira com validade até as 23h59 de 27 de fevereiro.
O governo mineiro decretou três dias de luto no Estado.
"Estou acompanhando todos os desdobramentos das ocorrências na Zona da Mata. O trabalho do Estado continuará enquanto for necessário. Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento", afirmou em nota o governador Romeu Zema (Novo).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que tomou conhecimento da situação em MG durante escala de viagem em Abu Dhabi, e ligou para a prefeita de Juiz de Fora para prestar solidariedade e oferecer o apoio do governo federal.
"Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução", disse Lula em publicação na rede social X.
"Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos. E me solidarizar com as autoridades e forças de segurança mineiras que estão trabalhando no resgate e no atendimento imediato à população prejudicada pela chuva."
Lula enviou o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, à região.
(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Eduardo Simões, em São Paulo)

