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Christa Pike: juíza ordena que o Tennessee preserve seringas e outras provas de execução falha

Estadão

Uma juíza do Tennessee, nos Estados Unidos, determinou nesta quarta-feira, 7, que o estado americano preserve as seringas e demais provas utilizadas na tentativa de execução fracassada da detenta Christa Pike, a pedido dos advogados dela. As informações são da agência de notícias Reuters .

Os advogados solicitaram à juíza do Tribunal de Chancelaria do Condado de Davidson, I'Ashea Myles, que ordenasse às autoridades do Tennessee a preservação de todas as provas da execução fracassada, incluindo seringas, embalagens de medicamentos e números de lote, cateteres, tubulações intravenosas e cintos de imobilização da maca.

Os defensores de Pike alegaram que a execução fracassada constitui tortura, em violação à proibição de penas cruéis ou incomuns prevista na Constituição dos Estados Unidos.

Myles se posicionou, em grande parte, ao lado dos advogados de Pike na audiência desta quarta, descrevendo o processo judicial - que teve início em janeiro com o objetivo de impedir a execução marcada - como incomum, pois ninguém havia previsto que Pike sobreviveria. "Este caso é único, para dizer o mínimo", disse Myles.

A magistrada também determinou que o estado preservasse as comunicações internas sobre a tentativa de execução, incluindo relatórios de incidentes, depoimentos de testemunhas e mensagens criptografadas.

Myles ainda não se pronunciou sobre um pedido dos advogados de Pike para que o Departamento Penitenciário do Tennessee lhes permitisse coletar quaisquer vestígios remanescentes das drogas utilizadas na execução para análise química.

O Departamento Penitenciário do Tennessee se opôs ao que considera uma ordem de preservação "redundante e desnecessária", argumentando que já é legalmente obrigado a preservar todas as provas.

O Tennessee e outros estados dos EUA há muito tempo enfrentam dificuldades para adquirir medicamentos para execuções. Esses medicamentos não podem ser obtidos junto às grandes empresas farmacêuticas devido a uma proibição comercial imposta pela União Europeia às empresas que vendem produtos para uso em tortura ou execuções.

Assim, o Tennessee e outros estados recorreram a pequenas farmácias de manipulação, muitas vezes não regulamentadas, para fabricação de pequenos lotes, com a promessa de ocultar a identidade do fornecedor.

Pike sobreviveu a duas doses de pentobarbital aplicadas na última quarta-feira, 30 de setembro, e, segundo os advogados, está consciente e consegue falar. Eles afirmaram que o prognóstico ainda é "incerto" e que ela terá "uma longa recuperação".

Ele foi condenada à morte pelo assassinato, em 1995, da colega de classe Colleen Slemmer, que foi espancada e esfaqueada até a morte. A droga da injeção letal não matou Pike, mas seus advogados afirmaram que seus braços ficaram queimados e cobertos de bolhas.

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