RIO - De novo, após quase meio milênio, duas mulheres estão à frente do destino da Escócia e de sua relação com o restante das Ilhas Britânicas. A escocesa Nicola Sturgeon e inglesa Theresa May reeditarão um drama iniciado há 449 anos pelas rainhas Maria Stuart, da Escócia, e Elizabeth I, da Inglaterra. A diferença é que o embate entre as duas primas terminou não com a separação, mas com a união dos dois reinos sob um só monarca — após a soberana da Escócia ser decapitada por conspiração para matar a rival em 1587.
Escoceses e ingleses sempre viveram às turras, e não foi por acaso que o imperador romano Adriano mandou construir uma muralha no Norte de sua colônia Britannia, a fim de conter os belicosos caledônios. Na Idade Média, os dois reinos, já independentes, continuaram a tradição de brigar um com o outro.
A situação perdurou até a ascensão de Maria Stuart ao trono escocês em 1542, apenas seis dias após seu nascimento, com a morte do pai logo após a Batalha de Solway Moss, contra... os ingleses. Sobrinha-neta do rei inglês Henrique VIII — pai de Elizabeth — pelo lado da avó paterna, ela a partir de 1571, já destronada na Escócia, envolveu-se numa série de conspirações para tomar o trono à prima.
Após anos confinada, Maria Stuart foi finalmente levada a julgamento em 1586 por um novo complô para assassinar a soberana. Elizabeth levou três meses para assinar a sentença, mas Maria Stuart acabou subindo ao cadafalso em fevereiro de 1587. Por ironia do destino, seu filho Jaime VI, que lhe sucedera no trono escocês, recebeu também a coroa inglesa em 1603 como Jaime I, quando Elizabeth I, que nunca se casara, morreu sem deixar herdeiros diretos. Um século depois, em 1707, os Parlamentos dos dois países, que haviam se mantido separados, fundiram-se formando o Reino Unido da Grã-Bretanha. Elizabeth II é a 13ª geração de descendentes de Maria Stuart.

