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Chefe de gabinete de Theresa May renuncia ao cargo

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LONDRES - A chefe de gabinete da primeira-ministra britânica Theresa May renunciou ao cargo na manhã deste sábado, em mais uma repercussão da perda pelo seu Partido Conservador da maioria no Parlamento nas eleições desta semana no Reino Unido. Com isso, Fiona Hill se junta ao ex-conselheiro da primeira-ministra Nick Timothy, que também pediu demissão nesta sexta-feira após mau resultado na votação, e May perde dois de seus mais próximos assessores.

“A razão para este resultado desapontador não foi a falta de apoio a Theresa May e os conservadores, mas um inesperado aumento no apoio aos trabalhistas”, escreveu Timothy no site “ConservativeHome”. “Assumo a responsabilidade por minha parte nesta campanha eleitoral, que foi supervisionar o nosso programa político. Em particular, me arrependo da decisão de não incluir no manifesto um limite máximo, assim como um mínimo, na nossa proposta para ajudar a financiar o crescente custo dos serviços sociais”, acrescentou.

Segundo a imprensa britânica, pesos pesados do Partido Conservador exigiram a demissão dos dois conselheiros a Theresa May, se ela quisesse evitar uma rebelião aberta. Fiona Hill e Nick Timothy já haviam sido conselheiros de May quando ela foi ministra do Interior, entre 2010 e 2016.

A primeira-ministra convocou eleições antecipadas para fortalecer sua presença na Câmara dos Comuns. Mas em vez de ganhar, os conservadores perderam 12 assentos e ficaram com 318 deputados, oito a menos dos 326 necessários para ter maioria absoluta. Com isso, os conservadores britânicos começam a negociar com o Partido Unionista da Irlanda do Norte (DUP). Com dez assentos, esse partido regionalista ultraconservador, dirigido por Arlene Foster, permitiria a Theresa May ter o apoio necessário para governar.

Embora Theresa May sinalize que está firme no cargo, os analistas concordam que sua posição é muito precária. “May luta para continuar sendo primeira-ministra”, afirmou o “Daily Telegraph“, pró-Brexit. May “está perdida”, apontou o “Sun”, considerando que a primeira-ministra só aguentará alguns meses no cargo.

Os rachas dentro do Partido Conservador, dividido entre os “Brexiteers“ puros e radicais, e o setor mais “eurófilo” e preocupado com as consequências de uma saída da UE, podem dificultar ainda mais a situação para May. Segundo a deputada conservadora Heidi Allen, a primeira-ministra continua no cargo pelo início iminente das negociações sobre o Brexit.

- Mas não a vejo durar mais de seis meses - prevê.

A dependência do DUP levanta dúvidas ainda sobre a neutralidade do governo britânico na Irlanda do Norte, região sempre submetida a fortes tensões, 30 anos depois do fim do conflito. O conservadorismo social do DUP, contrário ao casamento gay e ao aborto, preocupa não só em Londres como também na Escócia, onde a chefe dos conservadores Ruth Davidson já apresentou suas condições.

- Pedi a Theresa May que garanta de forma categórica que em caso de acordo com o DUP os direitos da comunidade LGBT sejam respeitados no resto do Reino Unido - advertiu Davidson.

Ao obter 12 assentos na Escócia, contra um até agora, Ruth Davidson se tornou um ator poderoso com qual May deverá contar, apesar dos vários pontos de divergência. Sobre o Brexit, Davidson defende uma saída da UE menos dura do que a defendida até agora por May, que inclui a saída do mercado único, posição que o DUP compartilha.

Embora alguns analistas considerem que Theresa May pode moderar o tom após o revés eleitoral que sofreu, a primeira-ministra não deu até agora sinais de que vai mudar de posicionamento.

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