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Casa Branca concentra ação mais frenética da transição nos EUA

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WASHINGTON - O ritual americano mais intenso do qual você nunca ouviu falar é a chamada “troca de famílias”, uma tsunami de atividades que dura cinco horas e transformará a casa do presidente Obama na casa do presidente Trump. Os mais de 90 funcionários permanentes da Casa Branca e uns poucos contínuos de confiança chegam às 4h da manhã — alguns dormem nos próprios postos — prontos para executar o plano elaborado pelo chefe dos arrumadores. Ainda que essa seja a primeira transição da atual chefe, Angella Reid, trocas de empregados da residência presidencial são raras, o que significa que boa parte deles já participou do processo antes.

Os funcionários da cozinha são dos poucos que não são alocados para a força-tarefa da mudança, pois já estão começando a cozinhar o café da manhã, o tradicional café do Congresso, os petiscos da tarde, o jantar e eventos do dia seguinte. Aproximadamente às 8h30m, os funcionários se reúnem na sala de jantar para dar seu adeus à família presidencial e lhe entregar um presente. Durante sua saída, em 1989, Ronald Reagan recebeu o primeiro dos presentes: uma caixa feita de madeira histórica da Casa Branca, que continha as bandeiras que tremularam na residência no dia de sua posse e de sua saída.

— O presidente (George W.) Bush estava quase chorando ao discursar para os funcionários — afirma o ex-chefe de transição Stephen Rochon, contra-almirante da Guarda Costeira antes de chegar à Casa Branca. — Como militar, não deveria ter chorado, mas não conseguiu evitar. Nem o resto da equipe.

Cerca de uma hora depois, acontece o último evento oficial em que o presidente de saída tomará parte na Casa Branca: um café na Sala Azul que inclui os vice-presidentes atual e futuro, suas mulheres e parte do Congresso. Às 10h30m, eles sairão do Pórtico Norte para o Capitólio.

A família (geralmente) empacota antes boa parte dos pertences, então os funcionários finalizam o que sobra. Os caminhões da família de saída, escoltados pelo Serviço Secreto e oficiais da polícia dos parques, estacionam no lado oeste da garagem do Pórtico Sul. Os caminhões da nova família presidencial estacionam no lado leste do Pórtico Sul.

Por razões de segurança, apenas funcionários da residência têm permissão para fazer a mudança para dentro e fora da Casa Branca, então carpinteiros, eletricistas e muitos outros contratados da casa ajudam na mudança.

— Não queremos encontrar um item pessoal aparecendo no eBay — diz Rochon.

Após a retirada, os caseiros entram com força total, limpando a residência de cima a baixo. Encanadores e carpinteiros fazem pequenos reparos, mas nenhuma grande renovação, construção ou pintura acontece no dia da posse — não há tempo suficiente.

Ambientes nas alas Leste e Oeste recebem pinturas e arrumações. Mas um deles deve estar impecável: o Salão Oval.

— Essa é a primeira coisa que o presidente quer ver — diz Gary Walters, ex-chefe dos arrumadores da Casa Branca.

Próximo às 14h30m, o desfile da posse já começou, e o arrumador-chefe estará conferindo os detalhes finais. É nessas horas que o inesperado costuma acontecer, e a equipe precisa estar pronta. No desfile de George H. W. Bush, suas netas Barbara e Jenna — que mais tarde viriam a morar na Casa Branca — ficaram entediadas e quiseram entrar na residência, obrigando a florista da equipe a ministrar uma aula improvisada sobre arranjos florais.

Entre 15h30m e 17h, o novo presidente chega à Casa Branca. Quando ele entrar, normalmente pelo Pórtico Sul, caberá a Reid, a tarefa de recebê-lo pela primeira vez e dizer:

— Seja bem vindo à sua nova casa, senhor presidente.

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