A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos votará nesta quarta-feira (26) um projeto de lei que pode impedir a entrada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no país ou até mesmo deportá-lo. O projeto, chamado "No Censors on our Shores Act", foi protocolado em setembro de 2024 pelos deputados republicanos Darrell Issa e María Elvira Salazar, aliados de Donald Trump, em resposta à suspensão da rede social X no Brasil, determinada por Moraes.
A proposta classifica como "inadmissíveis" e passíveis de deportação agentes estrangeiros que tenham violado a liberdade de expressão de cidadãos americanos. O tema ganhou apoio entre congressistas republicanos, que desde a vitória de Trump em 2024 controlam tanto a Câmara quanto o Senado. No Brasil, aliados de Jair Bolsonaro celebraram a iniciativa, argumentando que se trata de uma resposta ao que chamam de "censura" promovida pelo STF.
A ofensiva contra Moraes não é isolada. Em setembro de 2024, parlamentares trumpistas enviaram uma carta ao então secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, pedindo a revogação dos vistos de todos os ministros do STF, incluindo Moraes. O pedido foi negado, mas com a mudança de governo nos EUA, a pressão contra o magistrado brasileiro voltou a crescer, especialmente após Elon Musk assumir um cargo no governo Trump e reforçar sua oposição às decisões do STF.
Caso aprovado no comitê, o projeto ainda precisará ser votado pelo plenário da Câmara e pelo Senado. Moraes, por sua vez, minimiza a possível sanção, afirmando preferir turismo na Europa. No entanto, especialistas alertam para o impacto diplomático que uma eventual retaliação americana poderia ter nas relações entre Brasil e EUA.

