O Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que pode barrar a entrada de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no país. O projeto, chamado "Sem Censores em Nosso Território", visa proibir a entrada ou deportar qualquer pessoa considerada um "agente estrangeiro que infrinja o direito de liberdade de expressão ao censurar cidadãos dos Estados Unidos em solo americano". O texto foi discutido nesta quarta-feira (26), e, agora segue para votação no plenário da Câmara e do Senado dos EUA, ambos controlados pelo Partido Republicano, e precisa da sanção do presidente Donald Trump para virar lei.
O projeto foi apresentado pelos deputados republicanos Maria Elvira Salazar e Darrell Issa, e embora não mencione diretamente Alexandre de Moraes, foi anunciado como uma resposta às decisões do STF no Brasil. Em setembro de 2024, a rede social X ficou fora do ar no Brasil por algumas semanas após uma determinação de Moraes, que alegou que a plataforma não estava cumprindo ordens judiciais e operava sem um representante oficial no país. Salazar declarou que Moraes estava promovendo um "ataque internacional à liberdade de expressão contra cidadãos americanos, como Elon Musk", dono do X.
Após a aprovação no Comitê, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA publicou um comunicado nas redes sociais, afirmando que "o respeito à soberania é uma via de mão dupla entre os Estados Unidos e parceiros, incluindo o Brasil". O Ministério das Relações Exteriores do Brasil avalia responder à postagem, e o chanceler Mauro Vieira reuniu-se com assessores para discutir o assunto. O Itamaraty já trava uma batalha nos bastidores do poder nos Estados Unidos desde a eleição de Donald Trump, enfrentando um lobby da família Bolsonaro e agentes da oposição que pedem retaliação às decisões do Supremo no Brasil.

