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Calor recorde coloca em risco a safra de grãos na França

Reuters
Calor recorde coloca em risco a safra de grãos na França
Calor recorde coloca em risco a safra de grãos na França

Por Sybille de La Hamaide e Gus Trompiz

PARIS, 23 Jun (Reuters) - Uma onda de calor recorde na França, o maior produtor de grãos da União Europeia, pode prejudicar as plantações de milho no meio da fase de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, afetar a produtividade do trigo às vésperas da colheita, afirmaram analistas nesta terça-feira.

Os contratos futuros de trigo e milho na Euronext subiram cerca de 3% na segunda-feira, à medida que crescia a preocupação de que o clima quente e seco pudesse prejudicar as safras na França e em outros grandes produtores de grãos da UE.

Grande parte da França está sob alerta máximo de calor, com temperaturas em torno de 40 graus Celsius nesta terça-feira, e previsão de até 43 °C nesta semana em algumas regiões do oeste do país, informou a Meteo France.

O calor poderia afetar os campos de milho não irrigados de forma grave o suficiente para reduzir a safra da França para menos de 10 milhões de toneladas métricas pela primeira vez desde 1990, caso as previsões se confirmem e não haja chuvas significativas nos próximos 10 dias, disse Vincent Braak, chefe de análise de safras da Expana.

Isso se compararia às 13,2 milhões de toneladas registradas em 2025.

Isso sem levar em conta as frequentes restrições de água na França, que afetariam o milho irrigado.

"Se essas restrições se tornassem generalizadas, isso representaria um problema real (para o milho)”, disse Jean-Charles Deswarte, do instituto francês de culturas Arvalis.

Quanto ao trigo soft, Braak disse que o rendimento da França poderia cair para menos de 7,0 toneladas por hectare, contra 7,4 t/ha em 2025, o que deixaria a produção pelo menos 1 milhão de toneladas abaixo da safra do ano passado, de 33,4 milhões de toneladas.

As áreas de cultivo de trigo de desenvolvimento tardio no norte da França enfrentam o maior risco, pois as altas temperaturas podem interromper o enchimento dos grãos, reduzindo o peso dos grãos, afirmaram analistas.

"As áreas mais expostas são aquelas que tinham o melhor potencial e deveriam sustentar a média nacional', disse Sébastien Poncelet, analista sênior da Argus Media.

O clima quente segue-se a uma primeira onda de calor em maio, que já havia acelerado o desenvolvimento das culturas, contribuindo para um início precoce da colheita de cevada e trigo.

"O que é certo é que isso antecipa a colheita em uma ou duas semanas em relação ao habitual. Pessoalmente, nunca vi isso na fazenda", disse o produtor francês de grãos Cédric Benoist.

O serviço de monitoramento de culturas Mars alertou na segunda-feira que o calor e as chuvas escassas poderiam ameaçar o potencial de rendimento na Europa Ocidental e Central.

A onda de calor deve se deslocar para o leste ainda nesta semana, aumentando os riscos para o trigo menos maduro na Alemanha, na Polônia e na região do Báltico, disse Poncelet.

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