Por Karl Plume e Katha Kalia
29 Jul (Reuters) - A norte-americana Bunge elevou nesta quarta-feira sua previsão de lucro ajustado para o ano inteiro, após superar as estimativas de Wall Street para os resultados do segundo trimestre, impulsionados por sólidas margens de processamento de soja e outras oleaginosas e por uma forte demanda.
A alta vertiginosa dos preços do petróleo bruto, após interrupções no abastecimento global causadas pela guerra no Irã, levou a um aumento acentuado nos preços do óleo de soja no trimestre, impulsionando as margens da maior processadora de sementes oleaginosas do mundo. A expansão da capacidade de processamento da Bunge, após a aquisição da Viterra no ano passado elevou os volumes.
O resultado acima das expectativas marcou uma reviravolta para a Bunge, que, assim como outras tradings globais de grãos, vem enfrentando um excesso de oferta de grãos há anos, enquanto interrupções no comércio pressionaram os lucros do agronegócio nos últimos trimestres.
As metas mais altas de mistura de biocombustíveis nos EUA, divulgadas pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA no início deste ano após um longo atraso, também dissiparam a incerteza que vinha pesando sobre os lucros nos últimos trimestres.
Os volumes de processamento dispararam à medida que os preços do milho e da soja nos EUA subiram acentuadamente desde o início da guerra no Irã, levando os agricultores a intensificar as vendas de grãos retidos da safra do ano passado em meio ao prolongado período de preços baixos.
O lucro ajustado por ação da Bunge no trimestre encerrado em 30 de junho saltou para US$2,00, ante US$1,31 no mesmo trimestre do ano anterior, superando a estimativa consensual dos analistas de US$1,95.
As vendas líquidas do segmento de processamento e refino de soja subiram para US$12,07 bilhões, ante US$7,75 bilhões no ano anterior.
O segmento de processamento e refino de sementes oleaginosas registrou vendas líquidas trimestrais de US$4,09 bilhões, ante US$1,53 bilhão no ano anterior.
A Bunge elevou sua previsão de lucro ajustado para 2026 pelo segundo trimestre consecutivo, citando margens melhores e um ambiente macroeconômico favorável. A empresa agora espera um lucro para este ano entre US$9,25 e US$9,75 por ação, acima da previsão anterior de US$ 9,00 a US$ 9,50.
As ações da Bunge subiam 0,4% nas negociações pré-mercado e registraram alta de mais de 30% no acumulado do ano.
(Reportagem de Karl Plume, em Chicago, e Katha Kalia, em Bengaluru)



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