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Brasileiro morto pelo Hamas ia pegar neta de carro na hora dos ataques

Por Folha de São Paulo

24/05/2024 13h56 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Michel Nisenbaum, brasileiro-israelense sequestrado pelo Hamas e encontrado morto nesta sexta-feira (24), dirigia seu carro enquanto os terroristas iniciavam os atentados de 7 de outubro de 2023. Morador de Sderot, cidade próxima da fronteira com Gaza, estava indo para uma base do Exército próxima do kibutz Re'im, para buscar uma das netas que estava com o genro dele, um militar. A menina, camuflada pelo pai com um casaco e distraída com um brinquedo durante os ataques no local, escapou. O avô foi capturado no caminho e nunca chegou ao destino.

Técnico em informática, Nisenbaum era voluntário dirigindo ambulâncias do sistema de saúde e também fazia passeios como guia turístico. Deixou a mãe, uma irmã, duas filhas e seis netos. Descendente de judeus que emigraram da Rússia e da Polônia, era natural de Niterói (RJ), mas vivia em Israel havia mais de 40 anos. Avô de cinco crianças antes de ser sequestrado, havia ganhado mais um neto no fim de 2023. Os pais o batizaram de Oz (coragem, em hebraico).

A irmã, Mary Shohat, 66, foi a primeira da família a fazer a aliá (termo hebraico usado pela comunidade judaica para se referir ao retorno a Israel), logo após concluir os estudos no ensino médio. Aos 17, passou um ano trabalhando nos kibutzim (comunidades agrícolas) antes de emigrar definitivamente para Israel.

Um ano depois, levou o irmão para viver com ela. Segundo Mary, ele havia se envolvido com "grupos juvenis violentos" no Brasil, sem entrar em detalhes, e levá-lo para Israel foi um meio de afastá-lo desse meio. À época, ele tinha 13 anos.

A mãe deles se uniria aos filhos anos mais tarde, quando Mary se casou. Hoje, com 87 anos, encontra-se debilitada, e a saúde se agravou depois do sequestro.

Michel não era o único membro da família afetado diretamente pelo 7 de Outubro. O irmão de uma das noras de Mary, esposa de seu caçula, foi assassinado pelos terroristas no kibbutz Erez, também próximo de Gaza.

Mesmo com o sequestro, a família não pensava em deixar Israel. Embora o núcleo dos Nisenbaums esteja em Israel há décadas, os laços com o Brasil eram preservados nos detalhes. Michel era quem mantinha a maior fluência do português. Havia, ainda, a comida: nos invernos, a mãe deles costumava fazer grandes quantidades de feijoada e repartir entre os filhos em tupperwares.


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