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Brasileira desistiu de doutorado para ir ao funeral de Fidel Castro

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Brasileira desistiu de doutorado para ir ao funeral de Fidel Castro
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O recado na geladeira, num pequeno papel preso pelo ímã de suvenir, é corriqueiro: “Mamãe foi pra Cuba”. É assim que a paulista Maria do Carmo Leite, de 68 anos, avisa aos filhos que, mais uma vez, veio à ilha de Fidel Castro. Com a viagem às pressas para participar do velório de seu “pai ideológico”, são 61 idas ao país: a primeira foi em 1986, meses após Brasil e Cuba reestabelecerem relações diplomáticas.

"Quando acordei na manhã do sábado, no dia 26, para fazer a minha inscrição para o doutorado, vi que havia uma mensagem de WhatsApp do cônsul cubano em São Paulo, meu amigo, me avisando da morte de Fidel. Parei tudo e comecei a me preparar para vir para cá de última hora. Gastei uma pequena fortuna, demorei 31 horas em voos, mas cheguei", conta ela, que não se arrepende de nada. "Tive que desistir do doutorado, pois vou perder a prova que tinha que fazer na terça-feira. Ainda quero morrer doutora, mas tento no futuro, tento daqui a mil anos."

Para a faculdade onde leciona Física em Santos, litoral paulista, avisou que faltaria a uma semana de trabalho por motivo de velório. Não estava mentindo. Só não detalhou a todos os colegas que seria o funeral do líder cubano. Para ela, sua morte é como perder alguém da família. Maria do Carmo diz sentir-se casada com a ilha, que conheceu graças à luta contra a ditadura no Brasil: uma colega foi para a clandestinidade em 1967, deixando os livros com ela. A professora de Física leu “Furacão sobre o açúcar”, de Jean Paul Sartre, livro que abriu sua “cabeça quando tinha 20 anos”, diz, e que foi relido diversas outras vezes. Desde então, colecionou tudo sobre Cuba. Quando o Brasil retomou as relações com a ilha, há 30 anos, estreou no país:

"Eu vivia uma espécie de casamento por correspondência. E quando conheci o noivo, vi que ele era ainda mais bonito do que eu imaginava", conta ela, em um café no centro de Santiago de Cuba. "Foi um casamento por correspondência feliz."


 

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