MADRI — Bombeiros aguardavam reforços nesta segunda-feira para tentar controlar um incêndio, iniciado no sábado, em um parque natural do Sul da Espanha. O fogo obrigou a saída de mais de duas mil pessoas da região. O incêndio afeta o parque natural de Doñana na Andaluzia, mas não atingiu ainda o parque nacional, Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco desde 1994. Até o momento não foram registrados feridos, segundo as autoridades.
— O incêndio permanece ativo, as chamas não estão controladas, se propagam — disse um porta-voz dos bombeiros. —Serão incorporados até 11 meios aéreos, a primeira ação será realizada assim. Em terra, receberemos mais efetivos.
Cerca de 450 pessoas ainda esperam para retornar as suas casas, enquanto mais de 400 bombeiros e soldados trabalham para tentar extinguir as chamas usando dezenas de veículos e aviões. Segundo o conselheiro regional para o Meio Ambiente, José Fiscal López, o incêndio teve origem humana:
— Temos a certeza de que a mão do homem está por trás — afirmou López. — As chamas não chegaram ao parque e o esforço foi especial durante a noite na frente que mais ameaçava o parque.
Os bombeiros ainda não divulgaram uma estimativa dos hectares afetados.
— Ainda é cedo para analisar os danos — disse o conselheiro.
O Parque Nacional de Donana é uma área do tamanho de Chicago que contém pântanos, córregos e dunas de areia e é o lar de espécies raras, como a águia imperial espanhola e o lince ibérico, o felino mais ameaçado do mundo. No domingo, trabalhadores do centro de criação Al Acebuche pegaram nove adultos de lince e cinco gatos para evacuação quando o fogo ameaçou o estabelecimento, disse um porta-voz do Ministério do Meio Ambiente. Um animal morreu no processo, possivelmente devido ao estresse.
Uma onda de calor atingiu a península ibérica nos últimos dias, fazendo os níveis de reservatórios de água registrarem baixas e elevando as temperaturas a mais de 40ºC. A Espanha está sofrendo uma seca precoce esta temporada, e várias áreas do país estão em perigo máximo de incêndio, entre elas grande parte da província andaluz de Huelva, onde fica o parque. Em Portugal, 64 pessoas morreram e mais de 250 ficaram feridas em incêndios devastadores que foram controlados na semana passada.

