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Bispos nicaraguenses vão a Masaya ‘para evitar outro massacre’

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MANÁGUA — Bispos católicos da Nicarágua fizeram, nesta quinta-feira, uma visita à cidade de Masaya, que vem sofrendo um duro ataque de forças do governo da Nicarágua ao longo da semana, com o objetivo de “evitar outro massacre”. Recebida por milhares de pessoas que resistem à ofensiva de Daniel Ortega, a delegação de bispos era liderada pelo cardeal Leopoldo Brenes, e caminhava pelas ruas entre barricadas

“Parem a violência”, gritavam os moradores da cidade, que sofre pelo quarto dia consecutivo uma forte ofensiva do governo para recuperar seu controle. Agitando bandeiras da Nicarágua, os moradores tomaram as ruas para saudar os religiosos.

Mesmo assim, no bairro de Monimbó, principal foco da resistência, houve trocas de tiros e de morteiros artesanais. Vizinhos relataram que grupos antimotim e paramilitares incendiaram algumas casas. Segundo Cristian Fajardo, líder estudantil, ouviram-se explosões no norte da cidade de 100 mil habitantes, ao mesmo tempo que cerca de 500 agentes armados e com capuzes avançaram pelas ruas.

Muitos habitantes trancaram-se em casa enquanto os agentes retiraram barricadas montadas nas ruas. As barricadas foram erguidas para travar ataques de grupos paramilitares e apoiantes do governo, que fizeram já 23 mortos apenas na cidade.

— Vamos em uma missão de paz para levar consolo e deter a violência — disse o arcebispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez, em uma homilia na capital.

Enrolada em uma bandeira, Yanet Lopez, dona de casa de 40 anos, afirmou que não aguentava mais a repressão.

— Queremos um país livre, Daniel, não queremos mais ditadura, somos o povo, não os delinquentes — contou à AFP.

O líder estudantil Lesther Alemán, que se integrou à comitiva dos bispos, disse que era o gesto “um abraço a Masaya”.

— Doeu no governo a rebeldia dessa cidade.

As forças do governo lançaram desde a última terça-feira uma forte ofensiva para recuperar o controle da cidade , declarada em rebeldia por seus habitantes, que exigem a renúncia do presidente Ortega. Nesta quinta-feira, o secretário da Associação Nicaraguense Pro Direitos Humanos (ANPD), Álvaro Leiva, denunciou que há um uso da força “desproporcional” e que estão sendo usados fuzis AK 47 e Dragonov — armas de combate que somente o Exército pode utilizar.

O país enfrenta uma crise que já deixou cerca de 200 mortos.

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