Biden reverte liberação de Trump e volta a impor restrições de viagens do Brasil

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

25/01/2021 19h33 — em Mundo

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente Joe Biden decidiu restabelecer as restrições de viagem a passageiros não americanos que chegam aos EUA vindos do Brasil e da Europa. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (25), a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou que o democrata vai reimpor a medida que havia sido derrubada por Donald Trump na semana passada, e adicionou a África do Sul à lista de limitações.

Biden assinou a ordem executiva nesta segunda para que as novas restrições passem a valer já a partir desta terça-feira (26). Em sua proclamação, o presidente dos EUA cita a variante do coronavírus que foi identificada no Brasil e que, segundo o texto do democrata, pode "impactar o potencial de reinfecção."

"A emergência nacional causada pelo surto de Covid-19 nos Estados Unidos continua a representar uma grave ameaça à nossa saúde e segurança. [...] É política do meu governo implementar medidas de saúde pública de base científica, em todas as áreas do governo federal, para prevenir a propagação da doença", diz o documento assinado por Biden e divulgado pela Casa Branca.

Dessa forma, a maioria dos cidadãos não americanos que estiveram nos últimos 14 dias no Brasil, na África do Sul, no Reino Unido, na Irlanda e nos 26 países europeus da zona Schengen não poderá entrar nos EUA —há exceções para vistos diplomáticos, residentes permanentes (portadores de green card), filhos ou cônjuges de americanos ou para quem viaja por razões humanitárias, de saúde pública e de segurança nacional, por exemplo.

A decisão de Biden já era esperada em meio ao surgimento de novas variantes do coronavírus, mas frustrou o governo brasileiro, que tinha esperanças de que o democrata não voltasse a proibir a entrada de viajantes do Brasil nos EUA.

A restrição não tem data para acabar –depende de uma nova determinação do presidente.

Desde a campanha eleitoral, Biden tem dito que sua prioridade é o combate à pandemia que já matou quase 420 mil americanos e assinou diversas ordens executivas sobre o tema em seus primeiros dias de governo —os decretos não precisam do aval do Congresso para entrarem em vigor.

Na semana passada, o novo presidente americano assinou uma medida exigindo teste com resultado negativo para Covid-19 e quarentena de sete dias aos estrangeiros que chegam aos EUA, e muitos diplomatas brasileiros acreditaram que esse já era um endurecimento da política do novo governo contra a pandemia —o democrata, porém, afunilou ainda mais o caminho para os países onde a situação está longe de se normalizar.

"Estamos adicionando a África do Sul à lista de restrições por causa da preocupante variante [do coronavírus] que já se espalhou para além da África do Sul", disse Anne Schuchat, vice-diretora do CDC (Centro de Controle e Proteção de Doenças dos EUA).

Segundo a agência de notícias Reuters, a especialista acrescentou em entrevista no domingo (24) que o conjunto de medidas está sendo tomado para "proteger os americanos e também reduzir o risco de essas variantes se espalharem e agravarem a pandemia atual."

Algumas autoridades de saúde estão preocupadas com o fato de que as vacinas atuais podem não ser eficazes contra novas variantes do coronavírus e têm orientado redobrar a cautela. Nesta segunda, a farmacêutica Moderna, por sua vez, afirmou que sua vacina funciona contra as variantes encontradas no Reino Unido e na África do Sul, mas lançaria, pelo que classificou de "excesso de zelo", trabalhos para impulsionar a imunização contra as novas cepas do coronavírus.

Os EUA lideram o número de casos e mortes por Covid-19 no mundo e a expectativa é que o país chegue à marca sombria de meio milhão de mortos no mês que vem.

Em 18 de janeiro, às vésperas de deixar o cargo, Trump suspendeu as restrições de viagem a não americanos que chegam aos EUA do Brasil e da Europa.

De acordo com a decisão do republicano, os passageiros poderiam entrar nos EUA a partir de 26 de janeiro, contanto que apresentassem um teste com resultado negativo para Covid-19 feito com até 72 horas de antecedência à viagem.

Minutos depois do anúncio de Trump, a porta-voz de Biden afirmou que o novo governo não pretendia suspender as restrições —o democrata tomaria posse em menos de 48 horas.

"Seguindo o conselho de nossa equipe médica, o governo não pretende suspender essas restrições em 26/1. Na verdade, planejamos fortalecer as medidas de saúde pública em torno das viagens internacionais, a fim de mitigar ainda mais a disseminação da Covid-19", escreveu a assessora de Biden no Twitter.

Para isso, o novo governo precisaria impor novamente um bloqueio na entrada dos viajantes —como aconteceu nesta segunda.

Assim como os EUA, Europa e Brasil têm assistido a novos picos no número de casos por Covid-19 nas últimas semanas, e diversos países europeus, estados americanos e brasileiros, como São Paulo, voltaram a adotar restrições para tentar conter uma nova onda da doença.

Trump determinou a proibição de entrada de estrangeiros vindos da China em 31 de janeiro de 2020, ainda no início da pandemia, quando o país asiático era o epicentro da crise. No mês seguinte, adicionou à lista o Irã e, em março, estendeu as restrições a pessoas vindas da zona Schengen, Reino Unido e Irlanda.

A restrição à entrada de viajantes do Brasil foi imposta no final de maio. Enquanto o bloco europeu ainda restringe a entrada de americanos, o Reino Unido e a Irlanda solicitam duas semanas de isolamento. O Brasil não tem restrições para quem chega dos EUA.

O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

+ Mundo