Início Mundo Avião de ataque russo bate em prédio em cidade próxima da Ucrânia
Mundo

Avião de ataque russo bate em prédio em cidade próxima da Ucrânia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo menos quatro pessoas morreram nesta segunda (17) quando um bombardeiro tático russo Sukhoi Su-34 atingiu um prédio residencial em Ieisk, cidade da região de Krasnodar separada por um braço do mar de Azov da parte sul da Ucrânia.

O caça-bombardeiro estava em treinamento, segundo Moscou, e teve uma falha técnica —a agência de notícias Tass afirmou que o incidente foi causado por um incêndio no motor.

Nas imagens de câmeras de segurança e feitas por moradores, o aparelho voa bastante baixo, presumivelmente após a decolagem da base aérea de uso misto que fica junto à cidade. Um clarão é visto em um dos dois motores do avião antes de ele cair. Cinco dos nove andares do prédio pegaram fogo, com danos a 17 apartamentos.

Os dois pilotos aparentemente conseguiram se ejetar, e agências russas citam seis desaparecidos e 25 feridos. Foi iniciada uma investigação. Apesar de o governo falar em voo de treinamento, o padrão da explosão captada nas imagens sugere que o avião estava armado.

A menos de 50 km da costa ucraniana, o aeroporto civil-militar da cidade é base de lançamento para ataques na região de Kherson, logo à sua frente. Ela foi um das quatro anexadas por Vladimir Putin no fim de setembro, ato que não foi reconhecido pela maioria dos países da ONU. Os combates seguem.

O Su-34 teve sua reputação de avião formidável arranhada no conflito ucraniano, iniciado quando Putin invadiu o vizinho em fevereiro. Construído com base no projeto do lendário caça Su-27, ele é uma versão maior e mais pesada do avião, adaptada para ataque a alvos no solo e no mar.

À função de avião de ataque tático ele ainda acrescenta algumas capacidades ar-ar, o que o qualifica também como caça-bombardeiro. Antes da guerra, havia 125 deles em operação na Rússia, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres).

De acordo com o site de totalização de perdas militares baseado em fontes aberta Oryx, da Holanda, 16 Su-34 foram perdidos em combate —sem contar o aparelho desta segunda, claro. Antes da Ucrânia, o modelo havia sido empregado em ações na Síria, mas a ausência de defesas aéreas do lados dos inimigos da ditadura aliada de Bashar al-Assad facilitou a vida dos russos.

Nos céus árabes, o Su-34 estabeleceu boa reputação. Já na Europa, tendo muitas vezes que voar abaixo das nuvens para ter visibilidade de ataque, acabou exposto aos mísseis portáteis operados pelos ucranianos e às baterias antiaéreas de Kiev, quase todas de origem soviética, como os S-300.

O fracasso relativo reflete as dificuldades crescentes que Moscou tem tido no conflito. Analistas previam que a superioridade aérea dos russos seria imposta na primeira semana da guerra, mas até aqui ela nunca foi completa, mesmo nas regiões que ocupam.

Agora, os EUA aprovaram o primeiro envio de baterias antiaéreas modernas para o governo de Volodimir Zelenski, e a Europa debate o mesmo fornecimento. Com isso, ataques a distância ou com drones kamikazes, como se viu nesta mesma segunda em Kiev, tendem a ser mais frequentes para poupar o arsenal de Putin.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?