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Ataques de detentos acirram greve de guardas prisionais na França

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PARIS - Agressões a agentes penitenciários nos últimos dias por parte de detentos fizeram aumentar para cerca de dois terços das 188 prisões da França o número de unidades afetadas por greves e piquetes. Pelo menos 35 tiveram as entradas bloqueadas, segundo autoridades, enquanto manifestantes falavam em 115 unidades fechadas.

O que começou como um movimento por melhores salários e mais segurança, há duas semanas, converteu-se numa greve inflamada por dois ataques contra prisões no último fim de semana. O desfecho, agora, está nas mãos das negociações entre sindicatos e o Ministério da Justiça, pressionado a prover cuidados adicionais para as prisões onde estão encarcerados extremistas.

Na segunda-feira, cerca de cem guardas protestavam em frente à prisão de Marselha, cujas portas foram bloqueadas, e outros 150 policiais fecharam a prisão de Fleury-Merogis, a maior da Europa, localizada ao sul de Paris, onde ficam 4,3 mil detentos. Os grevistas reclamam que a profissão é perigosa e pouco valorizada.

As repetidas agressões contra agentes penitenciários aumentam a indignação na classe. Em janeiro, seguranças foram alvo de um ataque de um jihadista extremamente perigoso preso em Vendin-le-Vieil. Christian Ganczarski, alemão que se converteu ao islamismo, fora sentenciado a 18 anos de prisão por um ataque na Tunísia, e os EUA acreditam que ele oferecera apoio essencial a Osama bin Laden antes dos ataques de 11 de Setembro.

Aumentando a tensão ainda mais, no último domingo houve outros dois episódios de violência: em Longuenesse, dois agentes, um homem e uma mulher, foram feridos por um preso com uma barra de ferro; e, em Châteauroux , um segurança foi agredido com uma cadeira por um preso, que gritou “Allahu Akbar!” (“Deus é grande”, em árabe), embora até então não se soubesse da sua radicalização. Segundo autoridades da França, ocorrem cerca de quatro mil agressões a guardas todos os anos no país.

Os agentes rejeitaram as propostas iniciais da ministra da Justiça, Nicole Belloubet, que hoje se reunirá com os grevistas novamente. A pressa do governo em resolver o assunto vem sendo interpretada como um sinal de que as autoridades consideram a situação explosiva. Diversas prisões sofriam com a falta de funcionários do lado de dentro, e forças de segurança especiais tiveram que substituí-los para evitar confrontos ou distúrbios. Na semana passada, a ministra ofereceu criar mais 1,1 mil postos de agentes penitenciários ao longo de quatro anos. Atualmente, 28 mil guardas trabalham nas prisões francesas, cujo total de detentos gira em torno de 78 mil.

Líder de uma das uniões de grevistas, Thibault Capelle criticou as ofertas do governo, a que chamou de pequenas reformas e medidas insuficientes para problemas existentes há décadas:

— Sentimos revolta, determinação e coragem. Vejo colegas serem esfaqueados e se consultarem com psicólogos porque foram atacados.

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