MOSCOU — O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, afirmou nesta sexta-feira que o ataque com mísseis dos Estados Unidos contra uma base militar na Síria era “uma boa notícia para os terroristas”. Em sua conta no Facebook, o premier advertiu que as relações entre Moscou e Washington estão, agora, “completamente arruinadas”.
O bombardeio à base militar foi ordenado pelo presidente Donald Trump em retaliação ao ataque químico em uma cidade controlada pelos rebeldes, atribuído ao regime sírio. Por volta das 03h40 (21h40 de Brasília), dois navios americanos situados no Mediterrâneo lançaram 59 mísseis de cruzeiro “Tomahawk” contra a base aérea de al-Shayrat, localizada perto da cidade de Homs, no centro da Síria.
Em uma reunião de emergência no Conselho de Segurança, a Rússia acusou os Estados Unidos de terem violado a lei internacional.
— Os Estados Unidos atacaram o território soberano da Síria. Classificamos este ataque como uma violação flagrante da lei internacional e um ato de agressão —denunciou o representante de Moscou na ONU, Vladimir Safronkov.
Em um discurso na televisão em sua residência na Flórida, Trump explicou que os ataques estavam associados ao programa de armas químicas de Damasco e diretamente relacionados aos acontecimentos horríveis de terça-feira. Naquele dia, um bombardeio atribuído ao Exército sírio contra a cidade de Khan Sheikhun (noroeste) deixou ao menos 86 mortos, incluindo 27 crianças. As imagens das vítimas agonizando chocaram o mundo.
Os serviços secretos americanos estabeleceram que os aviões que realizaram este ataque partiram da base de al-Shayrat, conhecida como um local de armazenamento de armas químicas antes de 2013, segundo o Pentágono.
Com uma expressão séria, o presidente Trump convocou as “nações civilizadas” a deterem o banho de sangue na Síria.
Em dificuldades há vários meses diante do regime, a coalizão da oposição política síria saudou a operação americana. Mas “atacar um único aeroporto não é suficiente (...) O mundo inteiro deve ajudar a salvar o povo sírio das garras do assassino Bashar (al-Assad) e seus capangas”, declarou Mohammad Allouche, membro do Alto Comitê de Negociações (ACN).
A Presidência síria, por sua vez, classificou nesta sexta-feira os bombardeios americanos de ato “irresponsável” e “tolo”.

