WASHINGTON — A prioridade em termos de política para o Oriente Médio é a luta contra o terrorismo, mas a visita de Trump à Arábia Saudita é ainda uma oportunidade de demonstração de força num momento em que o presidente luta internamente para conter um escândalo político após a polêmica demissão, há duas semanas, do diretor do FBI, James Comey. Ele era encarregado de investigar a suposta interferência russa nas eleições de 2016 e um possível conluio entre a campanha de Trump e Moscou. Na quinta-feira, o ex-diretor da agência Robert Mueller foi nomeado promotor especial para liderar as investigações.
Enquanto isso, seus assessores tentam amenizar o estrago causado pela demissão e os vazamentos de informação que se seguiram. Em entrevista à rede ABC News, o secretário de Estado, Rex Tillerson, não negou que o tema tenha surgido numa reunião com diplomatas russos — em que Trump teria dito que a saída de Comey tirou um peso de suas costas — mas afirmou que as declarações do presidente foram mal interpretadas. Segundo ele, Trump discutiu a demissão com o objetivo de “promover a cooperação entre os dois países”.
— A essência da conversa foi que o presidente se sente como se estivesse impedido em sua capacidade de trabalhar com a Rússia para encontrar áreas de cooperação, porque isso tem sido alvo de muitas notícias — explicou.
Tillerson fez eco ao conselheiro de Segurança Nacional, H. R. McMaster, que mais cedo afirmara à Fox News que Trump queria deixar claro à Rússia que “não vai ser distraído por questões internas”. No domingo, no entanto, membros de duas comissões do Congresso prometeram uma investigação minuciosa sobre a interferência nas eleições. O senador republicano Marco Rubio disse que quer escutar diretamente de Comey se ele se sentiu numa posição “onde não poderia fazer seu trabalho”. Para ele, a polêmica lançou uma “nuvem” na Casa Branca.
— Esta nuvem está afetando todo o resto. Então, precisamos acabar com isso de uma vez por todas.
A imprensa americana afirma que Trump pediu a Comey para encerrar investigação sobre ligação do ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn com a Rússia. Neste domingo, o ex-diretor do FBI concordou em testemunhar na comissão de inteligência do Senado após o feriado do Memorial Day, no dia 29. E os líderes da Comissão de Supervisão da Câmara, o republicano Jason Chaffetz e o democrata Elijah Cummings, afirmaram que vão exigir as notas de Comey — segundo o “New York Times”, Comey teria feito anotações das conversas.

