NOVA YORK - O presidente Donald Trump tomou o púlpito da Assembleia das Nações Unidas ontem e, em seu discurso, chamou o líder da Coreia do Norte de “Homem Foguete”, criticou “terroristas perdedores” e disse que algumas partes do mundo estão “indo para o inferno”.
Mas os coloquialismos escolhidos por Trump mascararam o que foi uma escalada surpreendente quando o assunto é Coreia do Norte. Para ser claro: o presidente ameaçou varrer do mapa um país de 25 milhões de pessoas.
A posição de Trump sobre a Coreia do Norte já foi muito dura antes e no último mês ele ameaçou receber o líder Kim Jong-Un com “fogo e fúria”. O discurso do presidente ontem, no entanto, esquentou a discussão ao afirmar duas coisas: que os EUA usariam poder máximo em defesa de seus aliados e que poderiam “destruir totalmente” o país asiático.
Soa muito como Trump esteja ameaçando um esforço sem precedentes para destruir uma nação inteira, seja por armas nucleares ou meios mais convencionais. É uma afirmação poderosa e a Casa Branca será sem dúvida acionada para dar mais esclarecimentos.
A declaração também é diferente do anterior comentário de “fogo e fúria” no sentido de que aconteceu numa situação de discurso preparado, na qual o presidente teve muito tempo para escolher suas palavras.
O discurso de Trump na ONU deve apagar qualquer dúvida de que ele está ameaçando um ataque militar sem precedentes à Coreia do Norte. Isto parece ser Trump abraçando de forma ainda mais completa a chamada “teoria do louco”, na qual ele se torna tão imprevisível que os outros líderes mundiais acabam temendo contrariá-lo. mas essa abordagem não é sem riscos. O ex-general David Petraeus os descreveu há poucos dias: “Pode haver algum mérito na ‘teoria do louco’ até que você mergulhe numa crise. Mas você não quer o outro lado pensando que você é irracional numa crise (...) e suficientemente irracional para atacar primeiro ou fazer algo ‘impensável’”.
Pesquisas mostram que 61% dos cidadãos americanos não estão seguros sobre a habilidade de Trump em controlar a situação com a Coreia do Norte. As palavras do presidente não vão acalmar os ânimos, mas ele com certeza aposta no recuo norte-coreano após o discurso.

