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Artigo: O risco de uma visão muito militar da Segurança Nacional

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O novo presidente Donald Trump está preenchendo os postos de Secretaria Nacional com antigos oficiais militares e homens de negócios, mudando a tradicional política de ocupação destes cargos. Mas a militarização da equipe de política externa de Trump está mais concentrada no time da Casa Branca, sob a liderança do novo conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn.

General aposentado, ele está montando o mais militarizado Conselho de Segurança Nacional americano da era moderna. Seus esforços têm duas motivações, de acordo com funcionários da transição com os quais eu conversei. Primeiro, ele quer pessoas que conhece e em quem confia. Além disso, acredita que a equipe anterior, do governo Obama, tinha pouca experiência em guerras reais, o que resultou em decisões políticas ruins e acompanhamento deficiente, especialmente no combate a grupos terroristas no exterior.

— Nós vamos ter pessoas que olharam pela mira de um rifle — disse Flynn repetidamente em encontros durante a transição, de acordo com um oficial sênior.

Pessoas da transição dizem que Flynn acredita que deve “corrigir o curso” da antiga equipe de Obama, para ele ocupada por pessoas cujo conhecimento sobre guerras vem apenas das notícias. Flynn acredita que se você botar no Conselho de Segurança Nacional pessoas que “suportaram a batalha”, como ele mesmo gosta de dizer, terá melhores resultados.

Todos os integrantes do órgão escolhidos por Flynn têm currículos distintos, serviram honrosamente e são elogiados por ex-colegas como servidores públicos capazes e patrióticos. A preocupação, então, recai não sobre as pessoas que ele está escolhendo, mas com o equilíbrio geral dentro da equipe.

Oficiais militares trazem conhecimento, disciplina e uma mentalidade aguda de organização e de planejamento, disse Kori Schake, que escreveu um livro sobre as relações civis e militares com o secretário de Defesa James Mattis, também um general aposentado. No entanto, sua fraqueza estratégica é que frequentemente evitam a dinâmica política dos problemas de segurança nacional, que são cruciais nos níveis mais altos da política.

— O presidente precisa de uma Casa Branca que seja ambidestra e capaz de trabalhar nos dois domínios — disse Schake. — Obama estava mal servido por ter uma equipe que não entendia as demandas militares. A de Trump, se é predominantemente militar, lutará para ser efetiva também na política.

Isso poderia ser um problema não apenas ao lidar com interlocutores externos, como o Congresso ou governos estrangeiros.

Flynn está sob pressão para mostrar a Trump que pode fazer um progresso relativamente rápido no combate ao terrorismo. Para obter sucesso a longo prazo, porém, Flynn e Trump precisarão montar uma equipe de diferentes origens no Conselho de Segurança Nacional, para que os problemas não sejam abordados somente sob a ótica militar.

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