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Artigo: Chávez virou guardião da Revolução Cubana

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Hugo Chávez salvou Cuba. Foi com a chegada do líder venezuelano ao poder, em 1998, que o país caribenho pôde se reerguer do colapso provocado pelo fim da União Soviética anos antes. Até a morte de Chávez, em 2013, os preços do barril do petróleo estavam lá em cima. Cuba não apenas recebia entre US$ 5 bilhões e US$ 15 bilhões anuais da Venezuela (a cifra, como tudo em se tratando de números oficiais venezuelanos, é estimada) como também podia comprar barris a preços especiais.

Em contrapartida, Fidel salvou Chávez. Forneceu-lhe médicos e agentes de Inteligência. Inspirou os discursos intermináveis do líder venezuelano, que se apropriou do “sonho revolucionário para a América Latina” de Fidel, de quem sempre se dizia discípulo, dando ao seu movimento o nome de “socialismo do século XXI”. “Venecuba” ou “Cubazuela” viraram termos para definir a forte ligação entre os dois países: Chávez e Fidel sempre se visitavam, criaram a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) como contrapartida para a Alca, mandada “al carajo” por Chávez. O afastamento de Fidel do poder, em 2006, foi muito sentido pelo venezuelano, que continuou a visitá-lo em Cuba até meses antes de morrer. Chávez tornou-se uma espécie de guardião da Revolução Cubana e, apesar de já mergulhado numa crise interna, inspirou e permitiu, com a ajuda bilionária de seus petrodólares, que surgisse uma leva de líderes latinos capazes de reproduzir a posição ideológica da dupla, prejudicando pretensões americanas na região. O Brasil, já com Lula no poder, era visto por ambos como uma espécie de “irmão maior”, que muito se beneficiou com o comércio com a Venezuela (o porto de Mariel, em Cuba, com verba do BNDES, é mais um capítulo dessa polêmica história).

A “Venecuba” não é mais a mesma, apesar de Nicolás Maduro, em seu governo insano, querer acreditar que sim. O preço do petróleo baixou, o chavismo colapsou, e agora, Fidel morreu. A retórica poderosa desses dois controversos — porém jamais irrelevantes — líderes regionais não passa, como já disse a dupla, de algo a ser julgado pela História.

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