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Artigo: Brexit não precisa ser um desastre para a União Europeia

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Com a primeira-ministra Theresa May dando início à saída do Reino Unido da União Europeia, não há qualquer dúvida de que será um divórcio doloroso para ambas as partes — e muito mais para os britânicos, sem dúvida. Mas isso não quer dizer que não haja um lado positivo. O acordo certo saberá reconhecer as oportunidades e aproveitar o máximo delas.

Mesmo a mais harmoniosa das separações, que mantenha a maioria dos privilégios comerciais do Reino Unido, deixaria o país em desvantagens econômicas. A queda na libra esterlina desde o referendo já atinge o poder de compra das receitas britânicas. Além disso, a saída também é uma tentativa de recuperar o controle de suas fronteiras — no entanto, a imigração, em termos econômicos, é algo positivo, e um aumento nas restrições do fluxo de trabalhadores já é, por si só, uma punição, independentemente de se tratar de uma punição auto-infligida.

O Reino Unido, é importante lembrar, sempre foi um ponto fora da curva, fundamentalmente oposto, ao contrário dos outros Estados-membros, ao princípio básico da UE, de uma união cada vez maior. Por ter mantido sua própria moeda, sempre esteve com um pé fora do bloco. Essas diferenças vão de encontro à ideia de que, se o país escapar agora com apenas alguns arranhões, outras nações também deixarão o bloco em seguida. O perigo de futuras saídas crescerá a longo prazo, caso a UE não consiga se recuperar do Brexit.

Isso nos leva ao lado positivo da saída britânica pelo ponto de vista da UE. Uma das mais claras lições dos últimos dez anos é a de que colocar a zona do euro nos eixos exigirá mais doses de integração nas políticas econômicas. É verdade que tais iniciativas agora não têm muito apoio, mas isso não as torna menos necessárias, e elas não podem ser procrastinadas para sempre. Em algum momento o tratado precisará de mudanças e, com elas, do apoio unânime dos Estados-membros. Mesmo sem o Reino Unido e suas arraigadas desconfianças sobre o projeto europeu, garantir esse apoio não será fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

Há um lado positivo para o Reino Unido também. O país terá de volta parte da autonomia que perdeu como integrante de UE. Haverá um custo, sem dúvida, mas ele pode ser reduzido com uma parceria cooperativa com a UE, e aproveitando a saída do bloco para liberalizar a economia e suas outras relações comerciais. De novo, não será algo fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

As negociações pela frente serão carregadas. Elas podem fracassar antes mesmo que os diálogos se aprofundem — com as exigências financeiras da Europa, com as discussões sobre a questão dos migrantes europeus, com a indefinição sobre o calendário das negociações. O que deve ser entendido é que a sorte está lançada, que mais reclamações sobre o processo que levou ao Brexit não servem para nada, e que a melhor aposta para os dois lados é aproveitar a situação ao máximo.

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