A reação foi e é planetária, veloz e contundente. Em questão de horas, os pronunciamentos contra a megafraude constituinte saltou ao primeiro plano, aos microfones e às telas dos meios de comunicação do mundo: claras e inequívocas declarações de personalidades de projeção mundial, de governos e de organismos multilaterais. A megafraude constituinte serviu, em primeiro lugar, para que os democratas venezuelanos dispusessem de uma prova confiável de que não estamos sozinhos, e que a vigilância do que ocorre em nosso país é permanente e ativa.
Nikky Haley, embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, e Mike Pence, o vice-presidente desse país, emitiram declarações de rejeição. Luis Almagro, secretário-geral da OEA, não titubeou para denunciar a fraude eleitoral cometida. Os 28 países que integram a União Europeia, em uma declaração que é um marco a respeito do longo histórico de deterioração das condições democráticas na Venezuela, declararam que não reconhecem a Constituinte. O Reino Unido emitiu uma posição que expressa também uma condenação taxativa.
Na América Latina, a conduta de numerosos governos foi semelhante. Nossa vizinha Colômbia, país de onde se acompanha de perto o que ocorre na Venezuela e cujo governo deu inequívocas demonstrações de solidariedade aos refugiados venezuelanos na fronteira, não reconhece a Constituinte. Muito menos o Chile, que já deu passos para agir em defesa dos direitos humanos em nosso país e em cuja embaixada se refugiaram vários perseguidos pela narcoditadura. Nem o Peru, cujas demonstrações de solidariedade com os cidadãos perseguidos foram recorrentes e generosas. O Canadá se pronunciou contra o roubo dos “direitos democráticos fundamentais”.
Semelhante reação de rejeição ocorreu em Brasil, Guatemala, Argentina, Paraguai, Panamá, México e Costa Rica. Que a Suíça, país que tem como fundamento de sua política externa a absoluta neutralidade, tenha se pronunciado contrariamente é um fato excepcional que se inscreve na História desse país. Por último, antes de fechar a lista, à qual deveria se adicionar dezenas de ONGs dedicadas à defesa dos direitos humanos e às liberdades individuais, devo mencionar o governo da Espanha, cujas declarações de 2 de agosto vislumbram que há medidas a caminho contra os funcionários comprometidos com a megafraude.
E o que dizem os aliados do governo autor da megafraude? Poderiam ser classificados em três categorias: os que fazem oportuno e chamativo silêncio como o governo de Cuba; os que criticam a Constituinte, mas tentam — apenas isso, tentam — defender os autores da megafraude e, os mais curiosos, aqueles que falam sem deixar claro o que se propõem a dizer.
Por exemplo, Ernesto Samper disse: “A Constituinte é um perigoso salto ao vazio que aprofunda a polarização do país sem resolver os graves problemas sociais que os afetam”, ao mesmo tempo em que se posiciona contra as sanções. A declaração da Rússia é, acima de tudo, uma espécie de enigma cauteloso: pede calma (ao governo?) e que “tudo se desenrole no estrito marco da lei” (por acaso isto é um reconhecimento velado de que os autores da megafraude pularam a Constituição vigente?).
A Bolívia, cujo presidente está consagrado à promoção de um museu dedicado a sis mesmo, exigiu respeito à soberania da Venezuela, assunto que não está em debate, e acrescenta uma frase tirada de seu arquivo de coisas inúteis: “A Venezuela é a ponta de lança contra o império”. A Nicarágua também apelou ao uso de frases ocas, que parecem mais um pêsame do que uma celebração: "Unimo-nos à Fidalguia do Povo Venezuelano, que disse Pátria, Liberdade e Vida, elegendo condições propícias para continuar trabalhando com Visão de Futuro".
E Cristina Kirchner? E Lula? E Rafael Correa? E Dilma Rousseff? Não puderam declarar. Estão todos muito ocupados. Vivem reunidos com seus respectivos advogados.

