ISTAMBUL - A Arábia Saudita acusou o arquirrival Irã de ser diretamente responsável por um ataque com míssil na capital do reino na semana passada, alertando que o disparo pode ter constituído um “ato de guerra”, de acordo com a agência oficial. Já um ministro advertiu que, devido ao que descreveu como atos de agressão do grupo xiita Hezbollah — integrante da coalizão no poder no Líbano — o governo do país será tratado como “um governo declarando guerra à Arábia Saudita”.
O aviso contra o Irã veio em meio a indagações que têm emergido sobre as intenções e o temperamento do jovem príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, cujo severo expurgo de príncipes, funcionários e empresários em seu país na semana passada chocou até mesmo observadores de longa data da monarquia saudita.
A declaração afirmou que o governo saudita “confirmou o papel do regime do Irã na fabricação desses mísseis e que os contrabandeia às milícias xiitas houthi no Iêmen”. Segundo a nota, a Arábia Saudita “se reserva ao direito de responder o Irã no tempo e na maneira apropriados”.
— O inimigo usa todas as oportunidades para acusar o Irã e, certamente, rejeitaremos isso — dissera já no domingo o ministro da Defesa do Irã, general Amir Hatami.
No sábado, o premier libanês, Saad Hariri, anunciou sua demissão ao visitar a Arábia Saudita, no que foi interpretado como uma nova tentativa da liderança saudita de enfrentar a influência do Irã no Líbano. Entretanto, o chanceler saudita, Adel Jubeir, descreveu como “bobagem” as alegações de que o reino forçou a renúncia de Hariri.
Também no sábado, autoridades sauditas e da mídia local anunciaram uma nova iniciativa contra a corrupção que resultou na detenção de algumas das figuras mais influentes do país, como o príncipe e investidor bilionário Alwaleed bin Talal, ministros e o chefe da Guarda Nacional. Na segunda-feira, foi detido o empresário Nasser bin Aqeel al-Tayyar. A rede al-Jazeera informou que também foi preso um meio-irmão de Osama bin Laden, Bakr bin Laden, que controla um conglomerado de construção civil.
O príncipe herdeiro Mohammed foi nomeado chefe de uma nova comissão para investigar a corrupção, e seus defensores elogiaram sua vontade de confrontar tais práticas no reino.
Alguns analistas viram as prisões como uma tentativa de poder imprudente que destacou o estilo agressivo de liderança do príncipe herdeiro.
— Sua apropriação indevida de poder e autoridade, que é inconsistente com o funcionamento da família e da monarquia real durante muitas décadas, inevitavelmente levará a problemas — disse um ex-oficial de Inteligência dos EUA.
Mas outros analistas disseram que parecia que, para melhor ou pior, Mohammed tinha quase excluído qualquer desafio efetivo a curto prazo a seu poder.

