SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, vê se repetir o mesmo resultado há três eleições: sua coligação consegue um bom número nas urnas, mas não o suficiente para obter maioria e formar um governo viável. Assim, precisa buscar apoio em outros partidos. Com 90% das urnas apuradas após a votação desta segunda (2), seu partido, o Likud, obteve 36 assentos no Parlamento, e a coalizão de direita, que apoia Netanyahu, soma 59. Com isso, o premiê precisa de duas cadeiras para obter maioria no Knesset, o Parlamento israelense de 120 lugares. Em segundo lugar, o Azul e Branco vai levando 32 postos. Seu bloco, o de centro-esquerda, soma 39. Em seguida, vem a Lista Unida, que une partidos árabes, com 15 assentos. Os dois grupos poderiam compor uma coalizão. No dia seguinte à votação, Netanyahu se reuniu com partidos menores de direita, como o Shas (10 votos), com quem conversou por uma hora e meia. O atual premiê reivindicou a vitória em um discurso, ainda na noite de segunda. Seu principal rival, Benny Gantz, líder do Azul e Branco, no entanto, não assumiu a derrota e prometeu não desistir. O poder de resolver o impasse deve ficar com Avigdor Lieberman, do partido Israel Nossa Casa, que obteve sete assentos. "Faremos de tudo para evitar uma quarta eleição", disse ele, que prometeu decidir o que fazer até o final da semana. Lieberman é um nacionalista laico hostil aos partidos árabes e judeus ortodoxos. Até se identifica com a direita quando se trata de diplomacia e relacionamento com os palestinos. Mas está mais próximo da esquerda progressista sobre a separação entre religião e Estado. Nesta terça, surgiram novas denúncias contra o Likud. Segundo o jornal Haaretz, a legenda de Netanyahu estaria ameaçando a parlamentar Omer Yankelevich a divulgar gravações comprometedoras caso ela não deixe o partido Azul e Branco. A saída tornaria mais fácil ao Likud formar maioria. O partido de Netanyahu nega a chantagem. Na campanha, o Likud foi multado em 7.500 shekels (R$ 9.660) por espalhar um vídeo adulterado de Gantz. Durante a campanha, Netanyahu retratou o rival como um covarde, que ficaria dependente do apoio de políticos árabes para governar. Israel teve duas eleições em 2019, em abril e em setembro. Nas duas ocasiões, Netanyahu e Gantz tentaram formar governo, mas não conseguiram um acordo entre os partidos. Um dos entraves foi que Netanyahu se recusou a abrir mão da liderança do Likud e, por consequência, do cargo de premiê. Na votação de abril de 2019, o bloco então liderado pelo Likud obteve 65 assentos, mas depois não houve consenso entre seus integrantes para formar governo e o país precisou voltar às urnas, situação que pode se repetir agora. Inicialmente, o Israel Nossa Casa, de Lieberman, faria parte da coalizão de direita, mas o apoio não se concretizou, e o premiê teve de negociar com 60 cadeiras. Enquanto Netanyahu luta para formar governo, também se prepara para encarar a Justiça. Nos últimos meses, o processo que investiga o atual primeiro-ministro por corrupção avançou: ele foi indiciado oficialmente pelas acusações de fraude, abuso de poder e quebra de confiança em três casos diferentes. O julgamento está marcado para começar em 17 de março. A investigação seguirá mesmo que Netanyahu consiga renovar o mandato. Para obter imunidade, ele precisa de aprovação do Parlamento. Houve uma tentativa em janeiro, mas o premiê desistiu do pedido pouco antes da sessão que debateria o caso.