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Após violência racial, guerra de estátuas é reaberta no Sul dos EUA

A explosão de violência racial causada pelos planos de remover a estátua de um general confederado em Charlottesville, na Virgínia, está inspirando várias cidades americanas a aumentarem os esforços para derrubar monumentos ligados ao passado escravocrata de espaços públicos. Desde sábado, em quatro estados, autoridades locais anunciaram iniciativas nesse sentido, e anteontem à noite, manifestantes em Durham, na Carolina do Norte, resolveram partir para a ação e derrubaram a estátua de um soldado confederado.

Os contrários a tais memoriais argumentam que eles são símbolos de ódio. Os prefeitos de Baltimore (Maryland) e Lexington (Kentucky), por exemplo, fazem parte deste grupo. Além disso, autoridades de Memphis (Tennessee) e Jacksonville (Flórida) anunciaram novas iniciativas para tirar monumentos em honra a confederados. Republicano, o governador do Tennessee, Bill Haslam, vem pressionando os legisladores a decidirem pela remoção de um busto de Natham Bedford Forrest, general e membro da Ku Klux Klan, do Capitólio estadual.

Após a violência em Charlottesville, as iniciativas já estão acelerando. No episódio mais radical, em Durham, na Carolina do Norte, manifestantes chutaram a estátua derrubada do soldado confederado, enquanto outros celebravam o ato simbólico ao redor. Segundo a polícia, estas pessoas poderão responder por vandalismo. O governador do estado, Roy Cooper, no entanto, disse que os monumentos confederados deveriam ser retirados e instou os legisladores a abolirem uma lei que proíbe os governos de removê-los permanentemente.

Leo Ribuffo, professor de História da Georgetown University, afirmou ao GLOBO que não há uma solução mágica para o caso das estátuas. Ele lembra que muitos países vivem este dilema, principalmente na Europa.

— A maior parte das estátuas alvo de remoção foi instalada no início do século XX, quando o racismo era muito grande nos EUA, para honrar e dar caráter heroico a estes confederados.

O movimento pelas remoções, guiado por grupos de defesa de direitos civis, já teve outro ápice após um supremacista branco assassinar nove negros numa igreja de Charleston, na Carolina do Sul, em 2015. Pelo menos 60 símbolos confederados foram removidos ou renomeados no país desde então. Os mesmos esforços, no entanto, acabaram fazendo destes memoriais pontos de encontro para extremistas.

Na contramão desses eventos, o memorial a Abraham Lincoln, presidente que emancipou os escravos nos EUA, foi pintado com tinta de spray com as palavras: “Foda-se a lei”. Para Ribuffo, mais importante que definir o que fazer com as estátuas, é ver que a radicalização deste debate mostra como o racismo continua vivo:

— Não tenho dúvidas de que a eleição de Trump legitimou a luta dos supremacistas brancos na cabeça de muita gente.

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