Por Julia Symmes Cobb e Sarah Kinosian e Cassandra Garrison
LA GUAIRA, Venezuela, 1 Jul (Reuters) - Na maior parte do tempo, Alexander Delgado dá aulas de educação física em uma escola no Estado de Aragua, na região central da Venezuela.
Mas, na última semana, ele vem liderando uma equipe de resgate formada por vizinhos e voluntários de fora do Estado, que se revezam para cavar nos escombros de um conjunto habitacional público em busca de sobreviventes e vítimas dos terremotos consecutivos que devastaram um Estado litorâneo e partes da capital da Venezuela.
Cidadãos como Delgado — muitas vezes apenas com pás, cordas e as próprias mãos — vêm tentando complementar o que descrevem como uma resposta lenta e inadequada do governo aos tremores mais fortes do país em um século.
Entre os desafios, dizem eles, está a necessidade de contornar os esforços de alguns membros das Forças Armadas e da polícia venezuelanas para bloquear a ajuda, se apropriar de doações e até mesmo saquear prédios desabados.
O Ministério das Comunicações da Venezuela, que lida com consultas da mídia para as Forças Armadas e a polícia, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Autoridades graduadas do governo atribuíram a crescente indignação da população civil e os relatos de envolvimento de militares em saques e na lentidão da ajuda à desinformação. Elas exortaram o público a ignorar “estratégias de manipulação nas redes sociais” e a confiar nas informações oficiais.
Delgado não tem treinamento formal em resgate, mas aprendeu primeiros socorros no trabalho e viajou para La Guaira, o Estado mais atingido, um dia após os tremores para dar uma mãozinha.
Cidadãos venezuelanos como ele e equipes internacionais de resgate lideraram os esforços de resgate, disse ele. “Você vê os bombeiros, a equipe de resgate mexicana ‘Los Topos’, mas não vê o Estado propriamente dito.”
Sua equipe passou cinco dias removendo escombros e prestando atenção aos sinais de vida sob o Sol quente do Caribe. Eles contam com o apoio de outros voluntários locais, que trazem água, máscaras faciais, gelo e conhecimento sobre o conjunto habitacional Hugo Chávez, composto por oito torres, das quais seis agora estão reduzidas a escombros.
Na terça-feira, sexto dia, havia duas equipes internacionais de resgate e alguns bombeiros locais, além de um caminhão do serviço forense da Venezuela, mas ainda faltava o equipamento pesado necessário, segundo ele.
Naquela tarde, a equipe encontrou o corpo de uma mulher, deitada de lado, de costas para eles, entre uma laje e outros escombros. Eles interromperam o trabalho para aguardar a remoção do corpo pelo serviço forense.
A reação negativa à resposta do governo venezuelano ocorre no momento em que a presidente interina Delcy Rodríguez tenta consolidar seu poder após a destituição de seu antecessor, Nicolás Maduro, em janeiro.
“Delcy e sua turma estão no poder há 26 anos e só têm um roteiro”, disse Jimmy Story, embaixador dos EUA na Venezuela até 2023. “Eles assumem o crédito por tudo de positivo, jogam a culpa em tudo de negativo e tentam controlar a narrativa.”
(Reportagem de Julia Symmes Cobb em La Guaira e de Cassandra Garrison e Sarah Kinosian na Cidade do México)



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