Âncora da CNN teve papel maior do que se conhecia em defesa de irmão acusado de assédio

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

29/11/2021 21h05 — em Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Novas evidências que vieram a público nesta segunda-feira (29) apontam que Chris Cuomo, irmão do ex-governador de Nova York Andrew Cuomo, teve um envolvimento maior do que se conhecia anteriormente na estratégia do democrata para reagir às denúncias de assédio sexual, segundo o jornal The New York Times.

Os materiais inéditos —que incluem cópias de mensagens de texto e emails, bem como depoimentos dos assessores mais próximos do democrata, transcritos, e do ex-governador, em vídeo— foram a base do relatório divulgado em agosto pela procuradora-geral do estado, Letitia James, que mostra que o democrata assediou sexualmente 11 mulheres. Uma semana depois, Cuomo renunciou.

Muitos desses assessores se reuniram na mansão do então governador em Albany, capital de Nova York, em uma espécie de conselho de guerra no início deste ano, quando o destino do democrata foi colocado em dúvida pela primeira vez, segundo depoimento de Linda Lacewell, uma das funcionárias.

Âncora da CNN, Chris Cuomo esteve presente, segundo o New York Times, o que aponta uma participação maior do que ele já admitiu ou havia sido divulgado até agora.

Por seu acesso a diversas fontes dentro e fora da imprensa americana, o jornalista foi acionado pela ex-assessora Melissa DeRosa —que deixou seu cargo dois dias antes de Cuomo— enquanto ela tentava controlar, no início de março, os jornalistas que investigavam as histórias de assédio. "Pode deixar", foi sua resposta, de acordo com o jornal americano.

Dias mais tarde, ela voltou a escrever para ele após saber que um repórter da revista The New Yorker se preparava para publicar uma história, pedindo que Chris Cuomo checasse a informação.

Ainda em março, o jornalista também procurou DeRosa por mensagem de texto, dizendo-se em "pânico" devido à forma com que a equipe de seu irmão estava lidando com as acusações e pediu "deixe-me ajudar com a preparação [de Andrew Cuomo]" antes de redigir declarações propostas para o então governador ler.

Ele disse ainda para a assessora confiar nele e insistiu para que parassem de esconder detalhes. "Estamos cometendo erros que não podemos", escreveu a certa altura, segundo o New York Times.

Chris Cuomo também procurou a ex-assessora depois de uma reportagem do New York Times sobre um assédio cometido em um casamento. O jornalista escreveu para DeRosa dizendo ter uma pista de que a mulher estaria agindo para danificar a imagem do ex-governador —o que não era verdade, segundo ele mesmo admitiu aos investigadores.

Aos investigadores, o âncora da CNN insistiu que nunca manipulou a cobertura ou fez sugestões a outros jornalistas para beneficiar seu irmão. A seus espectadores, por sua vez, disse ter agido apenas como um irmão para "ouvir e dar meu conselho", orientando o democrata a dizer a verdade, qualquer que ela fosse, e eventualmente a renunciar.

Nem Andrew Cuomo, seu porta-voz ou a CNN comentaram a divulgação das novas evidências, segundo o New York Times.

ENTENDA O CASO

Andrew Cuomo era governador desde 2011 do quarto estado mais populoso dos Estados Unidos.

No dia 3 de agosto, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, divulgou os resultados de um inquérito de cinco meses, no qual concluiu que o político havia assediado sexualmente 11 mulheres e violado leis estaduais e federais enquanto criava um "clima de medo" no ambiente de trabalho.

A investigação revelou que o democrata apalpou, beijou e abraçou mulheres sem consentimento e fez comentários inapropriados em conversas com elas. Diversas autoridades, inclusive o presidente Joe Biden e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, manifestaram-se dizendo que Cuomo deveria renunciar.

Ao deixar o cargo, em um discurso de 20 minutos transmitido ao vivo, o democrata negou que tenha cometido crimes, embora tenha dito que aceita "total responsabilidade" por ter ofendido mulheres em meio ao que caracteriza como tentativas mal sucedidas de ser afetuoso. O ex-governador alegou também que devem ser observadas as motivações políticas por trás da pressão para que renunciasse.


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