O trigésimo quinto ataque a tiros a múltiplas vítimas em 35 dias nos Estados Unidos — desde o mais letal de todos, no dia 1º de outubro, em Las Vegas — mostra que nenhum local pode ser considerado seguro no país. E, no histórico do período, fica claro que qualquer banalidade pode motivar uma tragédia. A contagem leva em conta ataques com ao menos quatro vítimas — incluindo feridos e mortos — e indica que a epidemia está longe de ser resolvida.
O ataque de domingo ocorreu numa igreja batista numa pequena localidade do Texas. Na lista dos outros 34 há locais como boates, festa de Halloween, quadra de basquete, rua, rodovia, ônibus de festa, casas, lojas, parque, cinema drive-in e escritórios, espalhados por todo o país.
Como ocorre com os novos ataques de terrorismo de motivação política, como o sofrido em Nova York na última terça-feira, não há um local em que os americanos consigam se sentir totalmente seguros. O medo ronda os lugares mais inesperados. Muitos americanos agora temem ir a lugares de grandes concentrações públicas, embora a análise dos últimos ataques indique que não há padrão para essas tragédias.
Da mesma forma, as motivações dos últimos ataques nos Estados Unidos foram diversas: assaltos, brigas de trânsito, desavenças familiares, ciúmes, racismo, fanatismo religioso, suspeita de diferenças entre membros de gangues. E sempre há, como no “terrorismo clássico”, o imponderável distúrbio mental de quem decide abrir fogo, a esmo, contra pessoas inocentes, incluindo crianças pequenas.
Em alguns destes ataques, incluindo o mais sanguinário de todos, em Las Vegas, com 58 mortos e meio milhar de feridos, os investigadores ainda estão distantes da motivação da chacina.
Em comum a todos esses episódios, independentemente do local e da justificativa, há vítimas inocentes, parentes e vizinhos assustados, comoção local e “heróis” das forças policiais. E, sobretudo, as armas. Onipresentes na cultura americana — onde há mais pistolas e rifles do que carros — as armas seguem por trás de todos esses atos.
E por mais que o número de vítimas se conte às dezenas, há quase nenhum avanço para ao menos restringir o acesso a armas que, na maior parte do mundo, são de acesso exclusivo das forças militares. Assim, a guerra local americana segue, crescendo na espiral de medo, do ódio e da irracionalidade.

