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Análise: Isolamento já existia antes das novas sanções contra Venezuela

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WASHINGTON — As sanções anunciadas ontem contra o regime de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e países latino-americanos do Grupo de Lima devem alterar pouco a realidade do país, já muito isolado pela maioria dos vizinhos e pelas potências ocidentais. As sanções americanas apenas aprofundam medidas já aplicadas por Washington contra Caracas. E o anúncio do Grupo de Lima de que vai apertar o cerco financeiro a Maduro, incluindo nas organizações multilaterais, na prática consolida o que já existe: Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já não dão dinheiro novo a Caracas há anos. Bancos privados no máximo rolam dívidas venezuelanas, para não ter que reconhecer o calote em seus balanços.

A Casa Branca alertou que países que ainda fazem negócios com os venezuelanos, como China e Rússia, podem sofrer prejuízos, pois as transações do governo de Maduro não devem ser reconhecidas por um eventual novo governo democrático — ainda fora do horizonte. Mas nem os dois países estão animados com a relação com Caracas. Pequim tem se esforçado para recuperar em petróleo os US$ 60 bilhões que emprestou ao país, sem alocar novos recursos. Moscou adiantou algum dinheiro novo a Caracas, mas em pouca quantidade, e tende a não fazer novos aportes sem sinais claros de que Maduro deixará os russos avançarem sobre as reservas petrolíferas da Venezuela.

— E esses países ficam preocupados com a própria produção de petróleo da Venezuela, que está no nível mais baixo desde 1948 — explica Juan Carlos Hidalgo, analista do Cato Institute.

Os americanos não anunciaram o que seria a última cartada: a suspensão da compra do petróleo venezuelano. Além do temor do aumento do preço dos combustíveis que isso provocaria dentro dos EUA, há o receio de que Washington se transforme no “grande responsável” por todas as mazelas na Venezuela, servindo de álibi para Maduro. Um boicote petrolífero também tenderia a prejudicar ainda mais a população.

Os discursos fortes contra a reeleição de Maduro também têm impacto limitado: o regime já está bastante isolado. O que pode ocorrer agora é a suspensão de Caracas da Organização dos Estados Americanos (OEA): 18 países conseguiram incluir a crise do país na pré-pauta da Assembleia Geral da entidade, entre 4 e 5 de junho, em Washington. Haveria chances de evitar o fiasco da reunião do ano passado, quando Maduro exibiu musculatura diplomática e barrou a aprovação de qualquer texto crítico.

— Justamente pela eleição que carece de legitimidade, mais países se mostram favoráveis a que a OEA tenha uma atuação mais incisiva nesse caso — disse o embaixador brasileiro, José Luiz Machado e Costa.

Há dúvidas, porém, se essa medida teria efeito sobre Maduro.

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