Por Aadi Nair
7 Ago (Reuters) - O futebol parecia caminhar para um impasse prolongado nesta sexta-feira, à medida que aliados do presidente da Fifa, Gianni Infantino, se uniram em seu apoio, enquanto a Noruega exigia sua renúncia após várias federações europeias terem retirado seu apoio.
Confederações e federações nacionais continuaram a se posicionar uma semana depois que Infantino abandonou sua proposta de arrecadar cerca de US$4,2 bilhões com a venda de uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo e de outros torneios.
A presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, afirmou que Infantino não conta mais com a confiança da comunidade do futebol.
“Ele não tem a confiança institucional necessária para governar a Fifa de forma estável nos tempos em que vivemos. Não há mais volta para Gianni Infantino”, disse Klaveness, que é advogada.
“A cooperação internacional no futebol está em grande crise, e precisamos ter um motivo para nos unirmos agora; por isso, queremos pedir que o presidente da Fifa renuncie imediatamente.”
Enquanto isso, a Uefa, órgão europeu com 55 membros, se manteve firme em sua ameaça de boicotar todos os eventos organizados pela entidade mundial.
No entanto, as federações de futebol do México e da Argentina foram as últimas a dar seu apoio ao presidente da Fifa, que está sob pressão, após o apoio unânime da Confederação Africana de Futebol (CAF) à liderança de Infantino na quinta-feira.
Já a Conmebol, da América do Sul, expressou preocupação com as “repetidas ações unilaterais tomadas sem recorrer ao diálogo”.
A Federação Mexicana de Futebol (FMF), co-anfitriã da Copa do Mundo recém-concluída, rompeu com sua própria confederação regional ao apoiar Infantino, depois que a Concacaf havia anteriormente exigido um “acordo abrangente” com sua presidência.
A Concacaf, que administra o futebol na América do Norte, América Central e no Caribe, tem estado entre os principais críticos da Fifa ao lado da Uefa, que na quinta-feira afirmou que suas condições essenciais para o retorno às competições da Fifa não haviam sido atendidas.
A entidade que rege o futebol europeu afirmou que continua comprometida com o boicote à Copa do Mundo até receber garantias de que “tais tentativas de desfigurar o esporte dessa maneira nunca mais serão feitas”.
A Uefa ainda não informou se suas seleções deixarão de participar do próximo evento da Fifa — a Copa do Mundo Feminina Sub-20, que acontecerá na Polônia no mês que vem.
A confederação asiática (AFC) “manifestou solidariedade” à Uefa e à Concacaf, embora alguns de seus 47 membros — como a Indonésia, as Filipinas e o Catar, anfitrião da Copa do Mundo de 2022 — tenham se manifestado em apoio a Infantino.
Em comunicado divulgado na quinta-feira, a Conmebol afirmou que rejeita qualquer tentativa de destituir Infantino que não envolva uma votação de todos os 211 membros, e a federação mexicana ecoou esses sentimentos.
“A FMF não reconhecerá nem aprovará qualquer processo convocado fora desse marco institucional e se une ao apelo feito... pelo presidente Infantino para que, coletivamente, continuemos a desenvolver o futebol em benefício das 211 federações-membro”, afirmou em comunicado.
“A FMF apoia a liderança do presidente Infantino na promoção contínua do desenvolvimento do futebol por meio do fortalecimento institucional.”
Após uma reunião em Rabat nesta semana, a Fifa informou que havia se desculpado com seus membros pelos erros relacionados à proposta de vender uma parcela do futuro comercial da Copa do Mundo.
Também se comprometeu a revisar os processos que levaram à controvérsia, que pegou de surpresa tanto as federações membros quanto as confederações regionais.
(Reportagem de Aadi Nair e Rohith Nair, em Bengaluru)



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