TEERÃ — O ex-presidente conservador iraniano Mahmud Ahmadinejad registrou sua candidatura às eleições presidenciais de 19 de maio nesta quarta-feira, num desafio ao líder supremo do país, que o aconselhou a não concorrer. Ahmadinejad afirmou que a atitude foi tomada para respaldar a candidatura de seu ex-vice-presidente, Hamid Baghaie. O atual presidente, Hassan Rouhani, deve tentar reeleição.
Em setembro do ano passado, Ahmadinejad anunciou que não seria candidato depois que o aiatolá Ali Khamenei o convenceu a não participar das eleições para evitar “a bipolarização nociva” no país.
— O guia supremo me aconselhou a não participar nas eleições e eu aceitei (...). Eu o respeito. Meu registro visa apenas a apoiar a candidatura de meu irmão Hamid Baghaie — declarou Ahmadinejad, que foi presidente por dois mandatos, de 2005 a 2013, e durante seus mandatos sempre manteve uma relação próxima com Khamenei.
Embora a decisão esteja sendo vista como uma tentativa de Ahmadinejad de reforçar a candidatura de um aliado, também representa um desafio à autoridade do líder supremo do Irã.
Hamid Baghaie anunciou sua candidatura em fevereiro e afirmou que não pertence a nenhuma ala política. Em junho de 2015, ele foi detido e passou sete meses na prisão, mas os motivos não foram divulgados.
A candidatura do ex-presidente tem que ser aprovada pelo Conselho de Guardiões, um corpo clerical, antes que ele possa participar das eleições. Mesmo que consiga sua candidatura, é incerto se ele tem apoio popular o suficiente.
O registro de candidaturas para as eleições presidenciais no Irã começou na terça-feira e prosseguirá até sábado. Cerca de cem postulantes já se registraram — apenas dez devem ser escolhidos pelo Conselho para ir a voto.
Ahmadinejad é considerado um dos políticos mais polêmicos do mundo contemporâneo. Ao mesmo tempo que é visto como um homem extremamente religioso e conservador, é conhecido pelas pontuais críticas aos Estados Unidos. Em 2011, em seu polêmico discurso na ONU, denunciou os EUA e outras potências ocidentais por vários crimes contra a Humanidade. Foi sucedido pelo moderado Hassan Rouhani.
Por conta de sua imagem e oposição aos Estados Unidos, o acordo nuclear estabelecido com o Irã, durante o governo do presidente Hassan Rouhani pode ser reavaliado caso Ahmadinejad volte a governar. O Irã aceitou limitar o enriquecimento de urânio em troca de algumas sanções econômicas. Desde o acordo, o óleo iraniano começou a circular no mercado mundial. A Airbus e a Boing fizeram acordos bilionários com o país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já se posicionou de maneira desfavorável ao acordo. A eleição de Ahmadinejad pode servir de pretexto para o desmembramento do contrato.

