Por Nestor Corrales e Mikhail Flores
MANILA, 18 Set (Reuters) - Um estudante de 16 anos matou a tiros pelo menos dois colegas e, em seguida, tirou a própria vida em uma escola no sul das Filipinas nesta sexta-feira, informaram autoridades provinciais.
Outras oito pessoas ficaram feridas, sendo quatro em estado crítico, e todas as vítimas eram estudantes com idades entre 14 e 17 anos, disse Albert Palencia, prefeito da cidade de Banga, em Cotabato do Sul, onde ocorreu o tiroteio.
O incidente ocorre após dois outros casos fatais envolvendo armas de fogo desde junho em escolas nas Filipinas, onde ataques em escolas eram anteriormente raros.
“O suspeito supostamente sentou-se ao lado de seus amigos e disse a eles para irem para casa ‘porque, depois do almoço, vou executar meu plano’. Seus amigos riram porque o atirador era conhecido por fazer piadas”, disse Palencia à Reuters.
“Depois do almoço, ele começou a atirar nos alunos. Ele atingiu 10 alunos antes de se matar”, acrescentou Palencia.
Em outra entrevista à rádio DZBB, Palencia afirmou que o suposto atirador parece ter atirado indiscriminadamente contra alunos em uma sala de aula vizinha à sua, após sair da sala de aula do 9º ano.
Palencia disse que o suspeito usou uma pistola de 9 mm pertencente ao pai, funcionário do Departamento de Educação, depois de arrombar um cofre onde a arma estava guardada e levá-la para a escola.
Segundo Palencia, o adolescente tinha dois carregadores para a arma e recarregou depois de esvaziar o primeiro, antes de apontar a arma para si mesmo.
O prefeito descreveu o suspeito como um aluno inteligente e praticante ativo de taekwondo, acrescentando que não havia indícios de que ele tivesse sofrido bullying.
COMUNIDADES ONLINE
As autoridades também estão investigando o papel das comunidades online no ataque. Palencia, citando informações da polícia, disse que os investigadores descobriram que o suspeito havia postado em uma comunidade online do tipo “true crime” e estavam tentando determinar a natureza desse grupo virtual.
A revelação ocorre depois que uma investigação do Senado sobre um tiroteio mortal em uma escola em Tacloban, em junho, examinou o papel da chamada “True Crime Community”, que autoridades policiais especializadas em crimes cibernéticos descreveram como uma rede online de jovens que compartilham e consomem conteúdo extremista violento.
Pelo menos três alunos foram mortos e cerca de 20 outros ficaram feridos nesse ataque a uma escola pública de ensino médio em Tacloban, onde dois colegas de classe abriram fogo no campus.
No mês passado, um estudante transmitiu ao vivo o momento em que atirou e matou outro aluno em uma sala de aula em Zamboanga, no sul do país, antes de tirar a própria vida, reacendendo o debate sobre o acesso de crianças às redes sociais e ao conteúdo online, bem como os apelos por medidas mais rígidas de armazenamento e segurança de armas.
As Filipinas possuem regulamentações relativamente rígidas sobre a posse de armas, incluindo verificações de antecedentes e exigências de avaliação psicológica, embora armas de fogo ilegais continuem em circulação.
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