Adolescente é morto a tiros por forças israelenses durante protesto, dizem palestinos

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

04/12/2020 19h34 — em Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um adolescente palestino foi morto nesta sexta-feira (4) por tiros do exército israelense durante confrontos em meio a uma manifestação na Cisjordânia, informou o Ministério da Saúde palestino.

O jovem Ali Ayman Nasr Abu Aliya morreu após ser baleado na altura do estômago, com munição letal, durante um incidente ao norte de Ramallah, disse o ministério em um comunicado. Segundo a agência Reuters, ele tinha 15 anos.

Os confrontos ocorreram na aldeia de Mughayir. Após ser ferido, o jovem foi transferido em estado crítico para um hospital em Ramallah, onde faleceu, explicou o informe.

Segundo o prefeito de Mughayir, Amin Abu Aliya, citado pela agência oficial palestina Wafa, o Exército dispersou violentamente os palestinos que se manifestavam contra a criação de uma colônia israelense no local. Quatro outros palestinos foram feridos pelo tiroteio de soldados israelenses.

"Este foi um crime de guerra e um crime contra a humanidade", disse o Ministério das Relações Exteriores da Palestina.

Por meio de uma porta-voz, o governo de Israel negou ter usado munição letal, e disse foram disparadas apenas balas de borracha. E afirmou que os palestinos atacaram pedras e pneus em chamas contra veículos israelenses.

Desde 1967, a Cisjordânia é um território ocupado pelo exército israelense. Mais de 450 mil israelenses vivem em colônias no território, onde residem cerca de 2,8 milhões de palestinos.

Os palestinos dizem que os assentamentos israelenses dificultam o estabelecimento de um futuro estado palestino, e que são um obstáculo para a paz.

Israel diz que os judeus têm laços históricos e bíblicos com a região e que, assim, tem direito a construir moradias naquelas regiões. As conversas de paz entre os dois lados estão paradas desde 2014.

Em 2019, o governo de Israel propôs um plano de paz, que cedia alguns territórios, mas de áreas distantes entre si, que foi rejeitado pelos palestinos. A proposta teve apoio do governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump.

Nos últimos meses, o premiê israelense Binyamin Netanyahu tem se aproximado de países árabes como Bahrein e Emirados Árabes, em um movimento que pode enfraquecer o apoio aos palestinos no Oriente Médio.

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