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Acnur classifica crise humanitária na Síria como desesperadora

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GENEBRA — Com a violência que assola várias áreas da Síria, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) manifestou nesta terça-feira sua preocupação em relação às mortes de civis e ao aumento do deslocamento causado pela violência, e classificou a situação humanitária no país como “desesperadora”. Para o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic, a situação em Douma, Ghouta Oriental, onde dezenas de milhares de civis permanecem presos, é particularmente preocupante. Estima-se que mais de 133 mil pessoas foram forçadas a fugir nas últimas quatro semana, quase o triplo do número divulgado pelo Acnur em 20 de março.

Do total, 44 mil pessoas, principalmente mulheres, crianças e idosos, foram autorizadas a deixar os abrigos coletivos após a conclusão de sua inspeção de segurança.

— As equipes do Acnur estão trabalhando com outras agências da ONU e com ONGs parceiras para ajudar a melhorar as condições nesses abrigos coletivos, que permanecem congestionados. Continuamos a pedir que todas as partes envolvidas no conflito protejam adequadamente os civis, incluindo sua liberdade de circulação e livre escolha sobre onde ficar. A unidade familiar também deve ser respeitada — afirmou Mahecic durante uma coletiva de imprensa no Palácio das Nações Unidas em Genebra.

Segundo ele, a equipe do Acnur vem fazendo visitas diárias a todos os abrigos coletivos onde as pessoas deslocadas de Ghouta Oriental estão acomodadas. Ali, além de abrigos superlotados e instalações sanitárias insuficientes, que representam sérios riscos à saúde, ouvem preocupações recorrentes sobre a falta de documentação, restrições à liberdade de movimento, separação familiar e riscos de violência sexual e de gênero. Além do apoio nos abrigos, o funcionários também forneceram aconselhamento legal para 22 mil pessoas.

— Quase um milhão de pessoas precisam de ajuda urgentemente, e mais de 60 mil pessoas foram alcançadas até o momento. O Acnur está comprando roupas localmente, já que muitas pessoas foram forçadas a fugir com nada além do que estavam vestindo.

O Acnur ainda relata outros desafios e preocupações semelhantes ao responder às necessidades humanitárias de mais de 137 mil sírios deslocados da região de Afrin. A maioria está espalhada por Tal Rifaat, Nubol, Zahraa e aldeias vizinhas no noroeste de Aleppo, vivendo em abrigos improvisados, edifícios danificados ou inacabados, mesquitas, armazéns e espaços abertos.

— Cerca de 3.500 pessoas estão acomodadas em um acampamento de tendas em Fafin, ao norte de Aleppo. Além disso, distribuímos mais de 1.400 kits para reparação de abrigos e redistribuímos mil tendas do ACNUR em tamanho família — explicou Mahecic. — A jornada dos deslocados na volta para casa pode ser extremamente desafiadora e levar até quatro dias em alguns casos. O movimento de pessoas deslocadas em direção a Aleppo e outras áreas controladas pelo governo continua limitado.

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