SÃO PAULO, 3 Set (Reuters) - As ações da CSN dispararam quase 20% nesta quinta-feira, após o grupo anunciar que Fabio Schvartsman será o novo presidente-executivo da companhia, substituindo Benjamin Steinbruch.
Steinbruch, que ocupava o cargo desde 2002 e é membro da família controladora do grupo, foi eleito presidente do conselho de administração. A mudança ocorre em um momento em que a CSN negocia a venda de um de seus principais ativos, a CSN Cimentos, e de participação em seus negócios em infraestrutura logística para reduzir dívida.
Analistas do UBS BB avaliaram positivamente a nomeação de Schvartsman do ponto de vista de governança, "com a equipe de gestão da CSN passando agora a ser totalmente profissionalizada". Eles destacaram que o executivo é conhecido por conduzir processos de reestruturação e recuperação de empresas listadas em bolsa, com experiência na Klabin e na Vale.
Por volta de 10h40, os papéis avançavam cerca de 14%, a R$6,84, liderando as altas do Ibovespa, que subia 1,5%. Na máxima, chegaram a R$7,17 (+19,9%). No ano, porém, ainda acumulam queda de 23,5%.
De acordo com analistas do BTG Pactual, a mudança foi inesperada, mas representa uma notícia positiva. "Schvartsman é um executivo amplamente respeitado pelo mercado, com vasta experiência em empresas como Vale, Klabin e Ultrapar e, mais importante, entende o que precisa ser feito para reconstruir a confiança dos investidores e reposicionar a tese de investimento da CSN", afirmaram em relatório a clientes.
Eles também destacaram que, além de potencialmente trazer um foco maior em desalavancagem, alocação de capital e venda de ativos, a mudança deve proporcionar mais clareza à estrutura de liderança da companhia e ao planejamento sucessório, "temas que fazem parte das discussões entre investidores há algum tempo".
"Com Steinbruch permanecendo fortemente envolvido na empresa como presidente do conselho de administração, vemos a nova estrutura como uma evolução natural da liderança da CSN."
A equipe do BTG ponderou, contudo, que a atratividade do investimento no médio prazo dependerá, em última instância, da capacidade de execução.
Eles citaram que a alavancagem segue acima de 3 vezes, a queima de fluxo de caixa livre continua sendo uma realidade, e vendas relevantes de ativos, além da redução do endividamento, ainda são necessárias para fortalecer o balanço da empresa. "Ainda precisamos ver avanços concretos nessas frentes antes de adotar uma visão mais positiva ou revisar nossa recomendação neutra."
(Por Paula Arend Laier; edição de Fabrício de Castro)




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