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Abiove projeta queda na exportação de soja do Brasil em 2027, mas vê receita recorde

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Abiove projeta queda na exportação de soja do Brasil em 2027, mas vê receita recorde
Abiove projeta queda na exportação de soja do Brasil em 2027, mas vê receita recorde

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 22 Out (Reuters) - A exportação de soja do Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa, pode cair 0,8% no próximo ano em relação a 2026, para 113 milhões de toneladas, mas a receita será recorde com impulso dos preços mais altos, estimou nesta quinta-feira a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A queda esperada no volume exportado, ainda em momento em que produtores estão semeando a nova safra, considera um cenário de crescimento mais forte no processamento no país, enquanto se espera um aumento mais modesto da produção, um quadro que pode limitar a oferta a importadores como a China.

A associação, que reúne empresas como ADM, Amaggi, Bunge, Cargill, Cofco e Louis Dreyfus Company, estimou o esmagamento de soja em recorde de 66 milhões de toneladas, avanço 3,8% no comparativo com 2026.

A previsão da exportação menor do Brasil está "possivelmente ligada a uma maior demanda interna" por soja, disse a entidade, citando ainda expectativas de aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel como fator para o avanço do processamento.

"O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo, essencial para a produção de alimentos, e por óleo, fundamental para a fabricação de biocombustíveis e para as exportações", afirmou o diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral.

Segundo ele, "esse cenário consistente de alta no processamento nos prepara estrategicamente para continuar suprindo o país diante da expectativa do aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março".

Questionada, a Abiove afirmou que a estimativa do volume de processamento considera a possibilidade de um aumento de 1 ponto percentual na mistura de biodiesel, para 16% -- o biocombustível é feito majoritariamente a partir do óleo de soja.

Por outro lado, a expectativa é de um aumento de apenas 0,7% na safra brasileira de soja, para 181,6 milhões de toneladas, conforme estimativa da estatal Conab usada pela Abiove para elaboração do seu quadro de oferta e demanda. O total leva em conta questões climáticas em um ano de El Niño, que reduz chuvas ao norte e eleva as temperaturas, em uma conjuntura econômica que limita o crescimento da área plantada.

Ademais, a Abiove reduziu em 1,1 milhão de toneladas a projeção de exportação de soja do Brasil em 2026 no comparativo com a previsão de setembro, para 113,9 milhões de toneladas, mas não detalhou a razão. Esse total ainda marcaria um recorde, versus 108,18 milhões de toneladas em 2025.

RECORDE DE RECEITA NA EXPORTAÇÃO

Mais processamento representará maior produção e exportação de farelo de soja, apontou a Abiove, que vê alta de 3,8% na fabricação da matéria-prima para a ração em 2027 ante 2026, para 50,8 milhões de toneladas.

As vendas externas de farelo, por sua vez, atingiriam patamar histórico de 26,3 milhões de toneladas (+4% ante 2026).

No caso da produção de óleo de soja, a Abiove estimou 13,27 milhões de toneladas, alta de 3,7% ante 2026, com mais da metade (7,8 milhões de toneladas) indo para biodiesel.

Já a exportação de óleo de soja do Brasil, que tem na Índia importante destino, deverá cair 2,6% em 2027 para 1,9 milhão de toneladas, na medida em que o biodiesel absorve mais matéria-prima com o eventual aumento da mistura.

Ainda que as exportações de soja em grão devam sofrer ligeira redução no comparativo anual, os preços mais altos dos produtos vão mais do que compensar a queda nos volumes de um dos setores que mais exportam no Brasil.

A Abiove estima que as receitas com as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) podem somar recorde de US$69,3 bilhões em 2027, versus US$60,3 bilhões previstos para 2026.

A soja deve responder por grande parte das receitas, com US$56,5 bilhões.

O montante projetado para o complexo no próximo ano apagaria um recorde histórico registrado em 2023, quando o setor faturou ao todo US$67,3 bilhões.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

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