Por Hanna Rantala
LONDRES, 10 Ago (Reuters) - A primeira força policial feminina do México volta à ação na segunda temporada de “Las Azules”, com um enredo que gira em torno de dois massacres de estudantes manifestantes que ajudaram a definir uma era de repressão estatal severa.
A série da Apple TV, em espanhol, mostra quatro mulheres em busca de crescimento pessoal e mudança social no México patriarcal da década de 1970.
A segunda temporada começa um dia após uma força paramilitar conhecida como Los Halcones ter atacado um protesto estudantil na Cidade do México, em junho de 1971, matando ou ferindo dezenas de manifestantes.
Quando um jovem é encontrado morto em circunstâncias obscuras, as quatro “Azules” assumem indiretamente a liderança de uma investigação que aponta para a força policial e remete ao massacre de Tlatelolco de 1968, no qual dezenas de estudantes de esquerda foram mortos a tiros pelo Exército pouco antes de o México sediar as Olimpíadas.
“A investigação vai se aprofundar no assunto, não apenas na própria instituição da polícia, mas também no massacre estudantil de 1971, trazendo tudo isso de volta ao presente para ver o que estava por trás de tudo isso; o que não foi visto, o que não foi dito, o que não foi resolvido, porque os assassinatos continuam e as pessoas ainda estão desaparecendo no México”, disse Bárbara Mori, que interpreta María, agora promovida a tenente.
“É uma temporada bem intensa; só de falar sobre isso já fico arrepiada.”
O cocriador, roteirista, diretor e produtor executivo da série, Fernando Rovzar, queria contar uma história policial com um toque do melodrama tradicional mexicano que expusesse as irregularidades do establishment. Foi necessária muita pesquisa para garantir que os eventos fossem retratados com honestidade, responsabilidade e respeito, disse ele.
“Uma das coisas que adoro no México é que ele é uma grande área cinzenta. Acho que esta temporada foi uma oportunidade de realmente testar a bússola moral das quatro ‘Azules’”, afirmou Rovzar. “Elas defendem o sistema que sabem ser errado ou defendem seus próprios princípios, mesmo que tenham que ir contra o sistema?”
A temporada de oito episódios mostra o quarteto explorando novos territórios, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, disse Ximena Sariñana, que interpreta Ángeles, com “todas passando por transições, tentando se adaptar ao que se espera de uma mulher em sua situação específica”.
A segunda temporada começa a ser transmitida em 12 de agosto, com um episódio lançado semanalmente até 30 de setembro, e Rovzar está pronto para seguir em frente.
“Há tantas histórias que ainda podemos abordar, questões do passado que também são relevantes hoje e que podemos continuar a tratar”, disse ele. “A caneta está na minha mão e estou pronto para mais uma.”



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