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Homem fica 19 anos preso por engano e morre depois de saber sobre indenização milionária

Um homem ficou preso inocentemente durante 19 anos e morreu pouco tempo depois de saber que ia receber uma indenização milionária. O caso ocorreu em Recife (PE). A história foi classificada pelo Tribunal de Justiça como o erro judiciário mais grave da história do país.

Marcos Mariano, que nunca matou ninguém, tinha o mesmo nome de um criminoso e acabou sendo preso por engano por assassinato.

Mariano morreu essa semana, vítima de infarto, no mesmo dia em que recebeu a notícia de que receberia a segunda parte de uma indenização milionária. Em 2006, quando a reportagem esteve com Mariano, ele já estava em liberdade e começava a lutar pelo direito de ser indenizado.

A história começou em 1976, quando Mariano foi preso depois de ser confundido com um assassino que tinha o mesmo nome. Ele foi condenado a cumprir pena de seis anos pelo crime. Ele foi solto, mas a liberdade durou pouco: Mariano foi preso por novamente, quando um policial o reconheceu na rua e achou que ele estava foragido. Depois disso, ele ficou mais 13 anos preso.

Durante os 19 anos na prisão, os apelos na Justiça foram ignorados. O caso foi resolvido quando o diretor do presídio organizou um mutirão para conferir a situação de cada detento. Na cadeia, Mariano teve tuberculose, desenvolveu um câncer e ficou cego.

Depois de 13 anos solto, ele recebeu uma indenização de R$ 1 milhão. Foi com esse dinheiro que ele comprou uma nova casa e um carro. A segunda parcela da indenização, também de R$ 1 milhão, foi bloqueada por causa de um recurso do governo do Estado de Pernambuco.

Foram mais três anos de espera, até que ele recebeu a notícia de que o dinheiro havia sido liberado. Segundo a mulher de Mariano, ele disse, após receber a notícia, que ia dormir um pouco, mas acabou tendo um infarto e morreu quatro dias após completar 63 anos.

Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que só nos últimos dois anos, 20 mil pessoas mantidas presas, de forma injusta ou irregular, foram libertadas depois de uma revisão nos processos.

Taboão da Serra

Em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, um motorista também foi preso inocentemente. Tudo começou depois de um jogo de futebol, em 1998, quando um grupo de estudantes foi levado para uma delegacia de polícia por causa de uma confusão em um ônibus. Todos foram fotografados e fichados, e a foto de Fabiano Russi foi parar no álbum da polícia ao lado de criminosos.

Por meio de nota, o delegado geral de polícia de SP, Marcos Carneiro de Lima, disse que a legislação brasileira contempla a fotografia como componente de identificações criminais, e completou dizendo que em casos de falhas cabe ao poder judiciário decidir sobre a questão.

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