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Um ano após confronto com venezuelanos, brasileiros protestam em Roraima

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PACARAIMA, RR (FOLHAPRESS) - Um ano após violentos protestos contra a presença de venezuelanos em Pacaraima (RR), algumas dezenas de moradores brasileiros organizaram uma nova manifestação para exigir mais segurança e organização na cidade fronteiriça.

Em caravana de carros e a pé, os manifestantes se dirigiram até a linha da fronteira no final da manhã deste sábado (17). Mesmo pacífica, a movimentação assustou os venezuelanos, que correram para se proteger dentro das tendas da Operação Acolhida, iniciativa do governo federal para receber os imigrantes recém-chegados.

"Achei que havia começado a guerra ou que estavam expulsando os venezuelanos. Tudo isso passou pela cabeça", diz a enfermeira Krismar García, 37. Acompanhada da filha de 8 anos, ela planejava viajar até Curitiba, mas teve US$ 4.000 furtados ao chegar a Pacaraima, na sexta-feira (16).

Por medo de violência, os venezuelanos não dormiram nas ruas na noite de sexta (16) para sábado. A segurança de Pacaraima foi reforçada por homens da Polícia Militar, da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal. 

O protesto provocou o cancelamento da viagem do chefe do Acnur (agência de refugiados da ONU), o italiano Filippo Grandi. Em Roraima, ele visitou apenas a capital, Boa Vista. 

Há um ano, dezenas de venezuelanos acampados nas ruas de Pacaraima foram expulsos até a linha de fronteira em meio a insultos. Os manifestantes também queimaram os pertences abandonados. 

Um dos participantes da manifestação, o taxista Elton Costa, 65, diz que Pacaraima está enviando ao Brasil detentos soltos pelo governo venezuelano e que não há controle de quem entra no país. "O Brasil abriu as portas que nem a mãe Joana."

Apesar de ver um aumento de violência na cidade, Costa, que mora há 30 anos na cidade, afirma que nunca foi roubado. "Se me roubarem, eu tiro ele do ramo e acabou. Bandido bom é bandido morto."

Atualmente, o fluxo médio de venezuelanos é de 600 por dia, segundo a Operação Acolhida. Desse total, cerca de 25 pessoas chegam em situação de vulnerabilidade, sem dinheiro para hospedagem ou para seguir viagem.

Com uma loja a poucos metros do ponto de táxi, o comerciante Oracy Cardoso, 55, não participou dos protestos. "Não é justo julgar todos os venezuelanos por causa de alguns", justificou.

Segundo ele, 99% dos clientes de sua loja são venezuelanos. "Todos choraram quando a fronteira fechou", afirma, sobre o período entre fevereiro e maio. Cardoso diz que não tem problemas de roubo no seu comércio. "Deus protege."

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