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Trump anuncia morte do líder do Estado Islâmico em operação

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a morte do líder do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, em um pronunciamento neste domingo (27) na Casa Branca.

O anúncio representa uma vitória do republicano em meio a duas crises: o inquérito de impeachment devido às acusações de trocas de favores com a Ucrânia e as críticas —inclusive de membros de seu partido— por conta da retirada das tropas americanas do nordeste da Síria.

Segundo Trump, Baghdadi era monitorado há semanas e, durante uma operação na Síria, nesta semana, na província de Idlib, na fronteira com a Turquia, foi encontrado e perseguido em um túnel.

Ao se ver acuado por militares dos EUA, acionou um colete de explosivos, matando a si mesmo e seus três filhos. Ainda de acordo com o republicano, o chefe do EI foi identificado por meio de testes de DNA 15 minutos após a morte.

No pronunciamento transmitido na TV, o presidente disse que "os EUA levaram o líder terrorista número 1 do mundo à Justiça" e que "o bandido que se esforçou tanto para intimidar os outros passou seus últimos momentos com medo, pânico e pavor, aterrorizado pelas forças americanas".

"Seu corpo foi mutilado pelas explosões. O túnel desabou sobre ele", afirmou o líder americano, que também descreveu o terrorista "choramingando e chorando" ao ser acossado.

De acordo com o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, em entrevista à CNN, as forças especiais dos EUA tentaram capturar Baghdadi vivo, mas o chefe do EI fugiu para uma área subterrânea.

Trump disse que as forças americanas, transportadas por oito helicópteros no espaço aéreo controlado pela Rússia, foram recebidas com tiros.

Nenhum americano teria sido morto na operação, embora o presidente afirme que um dos cães militares ficou ferido.

Trump fez uma descrição rica em detalhes da operação —já o secretário de Defesa não repetiu termos como "choramingando e chorando". Segundo o New York Times, Esper afirmou que desconhecia essas particularidades e que o presidente "provavelmente teve a oportunidade de falar com comandantes que estiveram em campo".

A morte de Baghdadi ocorre semanas depois de Trump anunciar a retirada das tropas americanas da Síria, o que gerou críticas de que a mudança levaria ao refortalecimento do Estado Islâmico. A decisão também foi condenada por configurar uma traição aos curdos, que por anos ajudaram os EUA a combater o grupo na região, detendo cerca de 60 mil extremistas.

Com a saída dos militares, a Turquia, que classifica milícias como o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) como terroristas, teve sinal verde para avançar sobre o nordeste da Síria e empurrar a minoria apátrida para longe dali.

Trump, porém, disse neste domingo que recebeu informações de aliados curdos para conduzir a ação. Ele também agradeceu a colaboração de Turquia, Síria e Iraque.

Já a Rússia, que, segundo o presidente, teria liberado seu espaço aéreo para o ataque, afirmou que desconhece a assistência de seu país a tropa americanas e que não tem informações confiáveis sobre a morte do líder do EI, informou o Ministério da Defesa à agência de notícias estatal RIA.

Segundo o New York Times, a informação que levou ao paradeiro de Baghdadi surgiu quando uma das ex-mulheres e um mensageiro do líder foram presos e interrogados.

A partir daí, a CIA, a agência de inteligência americana, trabalhou com membros da inteligência curda e iraquiana para identificar o paradeiro do chefe do EI de forma mais precisa, colocando espiões para monitorar seus movimentos.

Segundo funcionários da administração americana ouvidos pelo jornal, dados fornecidos pelos curdos aos americanos contribuíram para a captura de Baghdadi mais do que a ajuda de qualquer outro país —a cooperação continuou mesmo quando Trump retirou seu exército do norte da Síria.

No auge de seu poder, o Estado Islâmico dominou milhões de pessoas em um território que ia do norte da Síria, passando por cidades e vilarejos ao longo dos vales dos rios Tigre e Eufrates, até os arredores de Bagdá, no vizinho Iraque.

Mas a queda em 2017 de Mossul e Raqqa, suas fortalezas no Iraque e na Síria, respectivamente, fez do autodeclarado califa Baghdadi um fugitivo.

Ele passou então a se deslocar ao longo da fronteira do deserto entre o Iraque e a Síria. Havia, segundo a agência de notícias Reuters, uma recompensa de US$ 25 mi (cerca de R$ 100 mi) por sua captura.

Baghdadi, cujo verdadeiro nome é Ibrahim Awad al Badri, teria nascido em 1971 em uma família pobre da região de Bagdá e liderava o EI desde 2010, quando ainda era uma ramificação da Al Qaeda no Iraque. O grupo, que mudou seu nome para Estado Islâmico, ocupou o lugar da facção terrorista liderada por Osama Bin Laden. Os sucessos militares iniciais e a propaganda eficaz levaram milhares de pessoas a se alistarem em suas filas.

O EI reivindicou diversos ataques contra minorias religiosas e atentados violentos no mundo todo em nome de uma interpretação radical do islamismo, a exemplo dos atentados de Paris, em 2015, em que cerca de 130 pessoas foram mortas, além de ações em Nice, Manchester, Berlim, Arábia Saudita e Egito.

Nos últimos anos, o Estado Islâmico perdeu a maior parte de seu território, o que tirou do grupo a base logística a partir da qual treinava combatentes e planejava ataques no exterior. Especialistas em segurança, no entanto, afirmam que a facção continua sendo uma ameaça devido a operações e ataques clandestinos.

Baghdadi foi reportado incorretamente como morto antes, e oficiais militares americanos estavam preocupados com o fato de Trump, que postou uma mensagem enigmática no Twitter na noite de sábado, indicando o anúncio feito na manhã seguinte, estar tão ansioso para divulgar a situação mesmo antes de confirmações forenses.

No que pode se tornar um dos símbolos mais importantes de gestão Trump, a morte de Baghdadi ajudará o presidente a se defender do crescente inquérito de impeachment lançado pelos democratas no mês passado.

O inquérito concentra-se no pedido do presidente para a Ucrânia investigar um rival doméstico —o democrata Joe Biden— para seu benefício político pessoal. O filho de Biden, Hunter, foi membro do conselho de uma companhia de gás ucraniana.

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