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Socialistas vencem com margem menor na Espanha e veem ultradireita avançar

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BARCELONA, ESPANHA (FOLHAPRESS) - A Espanha concluiu suas últimas eleições gerais neste domingo (10) no mesmo nível de incerteza de antes. A grande novidade é a chegada, desta vez para valer, do Vox, o partido de extrema direita que promete acabar com o independentismo catalão, a grande dor de cabeça do país no momento.

O partido de Santiago Abascal mais que dobrou sua performance anterior, em 28 de abril, passando de 24 para 52 deputados.

O Partido Socialista (PSOE) do atual premiê Pedro Sánchez foi novamente o mais votado, mas não melhorou a performance de sete meses atrás. O PSOE caiu de 123 para 120 assentos no Parlamento. São necessários ao menos 176 para a maioria absoluta --um feito que todos estiveram longe de conseguir.

A incapacidade de formar nos últimos meses um governo de esquerda com Unidas Podemos, liderado por Pablo Iglesias, deu um tempo valioso à direita de Vox e do Partido Popular (PP), que repetiu como a segunda força mais votada. O PP desta vez conseguiu mais 22 assentos e terá 88 deputados. 

Os prejudicados neste repeteco foram Cidadãos (C's), de Albert Rivera, que despencou de terceira à sexta força (de 57 a 10 deputados), e Unidas Podemos, que passou de 33 assentos a apenas 26. Além do mais, o partido de Iglesias se apresentou a estas eleições com uma fratura exposta --seu subproduto, Mais País, conseguiu dois assentos.

Apesar da dança das cadeiras, no entanto, nenhum grupo terá maioria absoluta se não flexibilizar, e muito, sua agenda. O desafio é maior para PSOE e Unidas Podemos, que precisam contentar espanhois, com um discurso de garantia de unidade nacional, e ganhar uma parcela importante dos catalães que querem ao menos o direito a decidir sobre seu território.

Para evitar terceiras eleições, o desafio será conseguir formar governo com um Congresso fragmentado com 19 partidos de todas as cores e tamanhos. Até os nacionalistas galegos agora têm representação nacional, com o BNG emplacando um deputado.

O que mudou no país entre abril e novembro foi a percepção de que é preciso um pulso mais firme em relação ao separatismo catalão. Com o vexame do não acordo entre PSOE e Unidas Podemos em abril, somado às demonstrações de força do independentismo radical nas últimas semanas, 50 cadeiras do Parlamento trocaram de dono e foram parar nos braços de Vox e PP. 

Pela primeira vez, o Parlamento espanhol terá representantes do maior crítico do estado espanhol: a CUP. O partido de extrema esquerda participa da tríade separatista catalã e quer independência a qualquer custo. O partido conseguiu dois assentos e sua cabeça de lista, Mireia Vehí, já avisou que a missão da CUP nessa legislatura será gerar a "ingovernabilidade do regime". 

O campeão entre os partidos catalães no Parlamento espanhol continua sendo a ERC (Esquerda Republicana), que conseguiu 13 assentos, dois menos que em abril. A ERC tem seu líder Oriol Junqueras na prisão, condenado a 13 anos.

A sentença dos nove condenados no julgamento do processo independentista, em 14 de outubro, foi o estopim para todo tipo de protestos que atordoa a Catalunha e especialmente Barcelona. A partir desta segunda são esperados três dias de manifestações convocadas pela plataforma Tsunami Democràtic.

Já o partido do atual governo da Catalunha, JxCat, conseguiu 8 assentos, um a mais que na votação anterior.

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